A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

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Amiga Bárbara

Bárbara, eu gostaria de me desculpar por todas as vezes que dei a entender que não desejava sua presença, por todas as vezes que pareci dificultar as coisas. E devo confessar que não foram apenas as aparências: era verdade. Mas não se choque, o erro não estava em você, estava em mim. Você sabe melhor que qualquer um que nunca fui alguém de muitas companhias e acho que, com o passar do tempo, prendi-me a isso. Entendi que afasto as pessoas e que, para que aquelas que me gostam continuem me gostando, melhor é mantê-las afastadas, pois assim não se aborrecem ou chateiam perto de mim. Eu SINTO falta de uma amiga como você. Eu SINTO falta de VOCÊ. Porque você é aquela que eu sei que pode até se espantar com certas decisões ou atitudes minhas, mas que NUNCA deixará de estar ao meu lado, porque você me ama assim como eu amo você. Não tenho palavras para expressar o quanto TODA a convivência com você me faz falta. Eu me prendi numa cúpula de isolamento, sem amigos genuínos para dizer tudo e qualquer coisa que desejo e nos divertirmos e chorarmos juntos. Transformei minha própria vida num inferno pulsante e não via como escapar; achava que era muito difícil. Mas ontem, hoje, percebi que tudo o que preciso é ter alguém que me entenda. Você não me entende completamente, é verdade – assim como não te compreendo por completo também. Mas ambas temos força de vontade para tentá-lo e ajudarmo-nos como pudermos, porque eu nunca tive uma amiga como VOCÊ. Obrigada, MAIS que obrigadíssima por TUDO. Você vai viajar comigo essas férias. E isso é uma ordem. 😉

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Coração de chumbo

libertação

“Posso quase vê-lo
Aquele sonho que estou sonhando
Mas há uma voz em minha cabeça dizendo
‘Você nunca o alcançará’

Cada passo que tomo,
Cada movimento que faço
Parece perdido em nenhuma direção
Minha fé está chacoalhada
Mas eu preciso ser forte
Preciso manter minha cabeça erguida alta

Sempre haverá outra montanha,
Sempre irei querer movê-la
Sempre haverá uma batalha difícil
Às vezes precisarei perder
Não é sobre quão rápido chegarei lá
Não é sobre o que há do outro lado
É a escalada

Os esforços que estou enfrentando
As chances que estou tomando
Às vezes podem me derrubar
Mas não, não vou quebrar

Posso não saber,
Mas esses são os momentos que lembrarei mais
E eu, eu preciso ser forte
Apenas continuar insistindo porque

Sempre haverá outra montanha,
Sempre irei querer movê-la
Sempre haverá uma batalha difícil
Às vezes precisarei perder
Não é sobre quão rápido chegarei lá
Não é sobre o que há do outro lado
É a escalada

Continue em movimento
Continue escalando
Mantenha a fé
Querido
Mantenha a fé
Mantenha a sua fé”
The climb, Mily Cyrus

As lágrimas que derretem por mim não são pesarosas nem tristes. São lágrimas fortíssimas e poderosas que expulsam de mim todos os resquícios do fardo que carregava. Nada mais salgado sobre dentro. Meu coração de chumbo, sinto seu peso afundar o seio, bombear metal para as veias, encher meu sangue de garra e energia. Agora sei que sou forte, forte de verdade – porque sinto isso genuinamente, na melhor expressão do sentimento. Sinto seu peso físico, a leveza emocional que me faz pairar no ar. Tudo o que derramei hoje, toda a maquiagem escorrida na fronha, tudo valeu a pena, pois foi esse meu golpe de misericórdia. Consigo até sentir a lâmina de minha espada penetrando e rasgando cada camada de carne de meu adversário, de todos os muros e obstáculos, de toda a energia que me quis mal. Livre, enfim!, grito na rouquidão do máximo da voz, seguindo uma risada de felicidade estridente! Não existem mais pesos em mim. Não existem mais pequenas pedrinhas que mantém meus pés no mesmo lugar. Sinto-me leve e sou livre! Não por uma libertação de desespero e desilusão, mas por uma catarse purificadora maravilhosa! Todas as impurezas, todos os pesos de ferro saíram de meu sangue. É vero que ainda vejo suas marcas sombreadas em cinza, mas não é algo a me fazer mal – pois cicatrizes só mostram quão longe você chegou. E ainda quero ter cicatrizes. Elas doem, muito. Mas só na hora de surgirem. Anseio olhar-me no espelho,ver meu corpo repleto de marcas e pensar: “Meu deus… Eu consegui. Eu passei por tudo isso e ainda estou aqui.”. Eu não desisti porque sou uma guerreira. Não uma heroína especial, sou exatamente como vocês. Apertem bem os olhos se quiserem e sintam. Sintam o brilho dourado que há bem no seio, na curva do peito. Ele é pesado porque é forte – e não porque é feito de culpas e erros. Erros só fingem ser pesados – e são mentirosos – porque são tão leves e frágeis que precisam de máscaras para encobrir sua vulnerabilidade. Mas se você os desafiar e usar sua própria força contra eles, correrão aterrorizados por seu poder. Você é forte. Você é brilhante e incrível. Todos temos medos inderrotáveis, erros, arrependimentos. E sabe o que são eles? São caminhos que a crueldade invejosa do mundo encontrou para reprimir seu verdadeiro tamanho – porque é ela que tem medo. Teme você descobrir do que realmente é capaz. Todos vocês são lindos, incríveis, maravilhosos e encantadores. Cada qual com seus saberes a reter e a passar adiante. Cada qual com suas habilidades e peculiaridades belíssimas que lhe destacam em meio a qualquer multidão. Somos unidos em sermos todos únicos. Todos humanos, pessoas. A depressão, a tristeza genuína, está em todos nós – e parece, mas não é, arrebatadora. Ela é simples e, se você olhar lá dentro, não sabe exatamente onde precisa chegar para derrubá-la – mas tenho certeza de que você está tentando. Não importa se pensa que está conseguindo ou não – tentar já muda tudo. E se tentar, passará por dores maiores ainda, advirto. É verdade. E o fará por estar enfrentando a fúria da maldade tortuosa do mundo; mas ela está desesperada, temendo em completo pânico por ver que você está no caminho certo para descobrir a verdadeira luz que tem em si! Não importa quem você é, de onde veio, no que acredita. Lembre-se SEMPRE que você é uma pessoa como qualquer outra: nem mais nem menos. E que se, algum dia, seus pesos parecerem maiores do que sempre foram ou do que realmente são é porque suas tentativas estão dando certo.

Realeza semântica

Se bem me lembro começou com um poema. Coisa boba, rimas pobres e um texto cafona deram origem a longos sete anos de amizade. Recordo-me que dizia algo sobre ouro… Couro… É, algo assim. Mas, acima disso, também relembro as brigas, as fofocas, os garotos, os amores platônicos e famosos (às vezes, nem tanto). Depois vieram os planos de festas, a fase do rock, a camiseta de banda que tenho até hoje, o desodorante no banheiro do shopping, as poucas comemorações do Green Day. Vieram muitas coisas, passaram parte delas e a gente está aqui. Separadas por alguns quilômetros, conversando por telefone, rindo das mesmas piadas idiotas. É bom saber que você gosta da minha companhia. Que confia em mim e que me gosta por quem eu sou. Cada uma tem seus defeitos (talvez você seja teimosa e eu, arrogante), cada uma tem suas qualidades (pode ser que eu seja companheira e você, incrível). Mas a gente se gosta e a gente se dá bem. Rimos, choramos, confessamos, perdoamos, dançamos como patas, rimos mais ainda e tudo está bem. Porque eu e a Bá formamos uma dupla ímpar, demais! E não, não somos amigas. Tampouco as melhores delas. Não somos irmãs, primas, quase unidas pelo sangue. Somos, com prazer e muito orgulho, o real significado daquilo que é ser amigo de alguém.

Eu te adoro, Bá.

Beijinhos,

Leti

Às nove

Eu e Bá, agora há pouco, no telefone:

Eu: Nossa, Bá. Só deixa eu te contar: você nãos abe que horas que eu fui dormir hoje!

Bá: Você não sabe que horas EU fui dormir hoje! Eu ganho de você!

Eu: Que horas você foi dormir?

Bá: Às sete horas da manhã!

Eu: HÁ! Ganhei, eu fui dormir às nove!

Isso mesmo, gente linda. Fui dormir às nove da manhã e acordei às treze quase em ponto. Passei a noite inteira lendo a primeira parte do meu livro, revisando e marcando o que devia ser modificado. Cansou bastante, mas foi legal (porque não me lembrava com detalhes de tudo o que escrevi). Pois agora vou consertar tudo o que marquei.

Beijinhos,

Letii

Ilustríssimas

 

Eu: Lá, vamo experimentar o bolo?

Lá: Vamo.

*as duas pega um pedaço de bolo cada uma*

Lá: HUEAHUAE. Bolo barata! Sabe por quê?

Eu: Porquê?

Lá: Crocante por fora e molinho por dentro. G_G

*as duas comem*

Lá: Eca, Letícia! Parece chiclete!

Eu: Aaah… Pelo menos ele tá bonitinho…

Lá: Bonitinho?! HÁ! Eu vou rir na sua cara!

O bolo ficou ótimo uma porcaria. U_U

Ok, mas mudemos de assunto. Estou na Bárbara, queridos leitores! E é claro que haveria uma participação de minha ilustríssima (estou com uma mania de falar essa palavra) melhor amiga! O que, obviamente, será escrito aqui depois que ela sair do banho. U_U (sim, eu roubei o computador dela por alguns minutos) Pra falar a verdade, eu não sei exatamente o que ela está fazendo lá no banheiro – porque o chuveiro já desligou há um tempinho e ela não saiu. ‘-‘ Não pensem besteira. Ok, podem pensar. (como se eu mandasse muito em vocês. -.-º)

E que tal aproveitar esse tempo para discorrer sobre coisas inúteis? (tepo esgotado, ela saiu do banheiro… mas a gente enrola ela). Ok, estávamos eu e Bá aqui no quarto, falando sobre pessoas e eu – em minha ilustríssima tpm – reclamando sobre tudo e todos. Acontece, meus amigos, que não sou uma pessoa tão delicada quanto sou no blog. Sendo bem sincera, eu falo muito palavrão e venho até tentado parar com isso. Só dou uma moderada no blog porque são textos que eu prefiro que sejam bonitinhos. 😀 Voltando ao assunto, eu estava a reclamar de Deus e o mundo e fui dizer “você pode dar o cú por ela que ela não muda!” – com essas exatas palavras. Porém, contudo, todavia, a casa da Bárbara é LARGA e ALTA, o que causa muito ECO. E eu, na minha essência italiana, falo be alto, sabe? Pois é, eu gritei “dar o cú!” e a mãe da Bá entrou no quarto. Foi maravilhoso. *-*

Outra coisa que acaba de acontecer é: a droga da tecla m da Bárbara não pega. Sim, meus amigos, eu copiei e colei todos os m’s deste texto. Aliás, não consegui usar um m maiúsculo porque o maiúsculo que eu consegui copiar ficava desproporcional ao taanho do texto do blog. Comentando isso com o Flá, ele me manda um m do tamanho do mundo (ou, segundo a Bárbara, de um e-lefante). Considerando que Bárbara tenha visto o “m-lefante”, pude ouvir o costumeiro comentário desnecessário, triste e engraçado (ou quase) de dita cuja:

Bá: Ooolha! É um emão! HUEAHUEHUEA. É o marido da ema, só que grandão!

Não me perguntem porque insisti e passar a noite aqui. G_G (a verdade é que eu amo essa menina)

Agora, o primeiro acontecimento do gênero que houve hoje foi: eu e Bá tomando café da tarde. Eu contando sobre vídeos que eu vi que retratavam jogos de improvisação. O problema era: o tema do jogo então sendo comentado era papel higiênico e, consequentemente, cocô. Fezes. Excretos sólidos. E comecei a falar extremamente empolgada, até que me lembrei que tinha cocô no meio. E a Bárbara comendo.

Eu: Aí, Bá, aconteceu não sei o que e *susto* … *pausa dramática*  *falando séria* Posso falar de merda?

 Bá: HUEAHUAEHUAHUAE.

Eu: Ah, eu posso, né? Você não liga. U_U

É verdade. Ela não liga, fae sobre cocô, urina, vômito, qualquer coisa enquanto ela está comendo e está tudo bem. B)

Okay, Bárbara escreverá agora.

 

ESPAÇO PARA A BÁ ENCHER LINGUIÇA E O SACO DE TODOS OS LEITORES ESCREVER

Oi gente, beleza? É a Baah, a mesma da entrevista, vocês já devem saber. Quem quiser da uma olhadinha, que é bem legal, modéstia à parte, hehehe 😉

Então gente, o que tenho a dizer hoje é que estou muuuito feliz. Se vocês olharem o meu blog, quase sempre verão essa frase estampada no início dos posts. Não, não sou feliz sempre, não. É que – sabe-se lá por que – a maioria dos dias que posto no blog estou feliz por algum motivo.

Pois bem, hoje eu to por que comecei a ler um livro incrível (Conversando com Deus, acreditem: super divertido e irreverente! 😀 recomendo), porque caí no meio do meu treino de marcha (pra quem não sabe, eu tive paralisia cerebral, ando ainda com apois e tou treinando pra tirar), entortei a bengala sei lá como, quase morri engasgada com o todynho pq a Le me fez rir, e tenho que aguentar essa pessoinha aqui até amanhã de manhã… Ô vida duuura!

hahhahaahaha

 

aa gente, eu queria escrever bem mais, mas me perdoem, tou cansada e acho que o post já deve tar grande demaaais.

Beijos,

Baah*

ACABOU O ESPAÇO PARA A BÁ BLÁ BLÁ BLÁ ESCREVER

Pois, bem. Agora, nos vamos. Temos ilustríssmas tarefas importantes a fazer (leia-se comer bolachas de banana com canela, perder tempo com qualquer outra coisa e dormir). U_U

Beijinhos,

Letii (e Bá)

Será?

Pois estávamos eu, Bárbara e Isabela na aula. Dizíamos que o professor nos passava exercícios super fáceis em classe e – na hora da prova – o negócio complicava. Eu, com a lista de exercícios nas mãos, comentei: “Ah, quer mais que esses exercícios aqui? Só faltava o enunciado falar a resposta!”, e a Isabela concordou: “É mesmo, né? Como se tivesse isso aqui.”, e desenhou flechinhas apontando a alternativa correta. Bárbara não entendeu o que Isa disse, então, Isabela repetiu em outras palavras: “É que tem um laser nos meus óculos que permitem ver a alternativa certa brilhar e ler logo acima: esta é a alternativa correta.”. Então, Bá pegou sua lista, olhou-a e perguntou: “Ah, é?”. Ficou encarando-a por alguns segundos, até eu e Isa começarmos a rir. Bárbara se defendeu dizendo que não achava que ia brilhar, mas que poderia haver uma marquinha. Será? 😛 (é verdade, sim)

Conformidades da vida cotidiana

E aí, gente bonita? Pois é, estou num nariz entupido que só! Aliás, também estou usando uma blusa da minha irmã. Mas não se preocupem, ela sabe disso. Pois bem. Que tal mais causos? Hoje na aula de biologia, a professora estava explicando o que é desenvolvimento embrionário direto e indireto. E disse que indireto é quando há uma fase antes do desenvolvimento completo.

Bárbara: Igual à borboleta?

Professora: Mais ou menos. Antes de ser borboleta, o que acontece?

Bárbara: Ela fica em um casulo.

Professora: E nesse casulo tem o quê?

Isabela: Minhoca.

Borboletas provém das minhocas, não se esqueçam disso! B) Ah, sim. Também teve o Dalila me perguntando quais as cidades da França.

Dalila: Quais cidades tem na França além de Paris?

Eu: Ah, tem Meaux, tem Nantes… (acho que escreve assim)

Dalila: tá, então vamos contar: tem Londres…

Eu: LONDRES?!

E isso é só o começo do perídopós-férias. Melhor já acostumar. 😀

Beijinhos,

Letii

Caderninho de projetos

Não sei se já comentei, mas tenho um caderninho de projetos. Nele, escrevo textos para o blog, trechos do livro, entre outros. Levo-o para tudo quanto é lugar. Porém, há algumas semanas, havia o perdido e – ontem – resolvi procurá-lo. “Deve estar no meu guarda-roupa.”, pensei. Abri o armário, tirei tudo de lá de dentro, procurei em pastas, gavetas, bolsas, caixzas, maleiro, sapateira, quebrei as duas gavetas, quebrei um enfeite de gnomo, fiz a maior sujeira. Desisti. Fiquei triste. Perdi o caderninho com, praticamente, metade da segudna parte do meu livro dentro (e eu nem tinha passado para o computador ainda). Vi no celular que o Flá me havia telefonado e resolvi descansar e ligar de volta. Fui ao quartinho, sentei, telefonei. Olhei na prateleira da mesa do computador. O caderninho estava lá.

P.s.: e feliz aniversário para a minha mãe (28 de junho) e pra mão (errei) mãe da Bá! (hoje)

Bobos

Até ontem, me considerava uma pessoa boba pelo fato de nunca conseguir me socializar direito. Impossível que todo mundo conheça e converse com tanta gente e eu tenha três amigas nas escola inteira. Impossível que minha irmã conheça meio mundo e eu continue com o meu trio amigo. Impossível que isso seja normal. Nem morrendo de tentar eu tinha uma conversa de, no mínimo dez minutos, com outrem que não fosse meus amigos/namorado/irmã. Achava que isso se devia ao fato de eu conversar sobre coisas estúpidas que as pessoas achavam ridiculamente medíocres. Eu e Ana, por exemplo, damos mais risada que conversamos e – quando conversamos – são lógicas internas sobre coisas cotidianas. Esclarecendo: se meu All Star está apertado e eu, por alguma razão, acho que a ponta dele está parecendo um nariz, logo pés têm narizes. Sim, é infame. Mas gargalhamos à beça. Contudo, enquanto conversava com a Bárbara durante a aula, percebi que nada se deve à esse fato. Eu comentava sobre meu dilema dos objetos, quando ela disse: “Sabe o que eu gosto? Que, com você, eu posso falar de qualquer coisa, tipo esse assunto que você falou. Se eu dissesse isso para outra pessoa, ela olharia pra minha cara e diria: afe, como você é ridícula.”. Foi então que veio à tona uma nova percepção: eu não sou boba. Bárbara e eu começamos em objetos e terminamos em crenças e religiões. Nós conseguimos levar a conversa para um rumo lógico e filosófico, onde discutimos sobre relevantes fatos da sobrevivência nossa de cada dia. É como concluíu Bárbara: “Não somos pessoas vazias.”. Sem ofensas mas, para quê conversar “Nossa, ontem vi um loiro lin-do na rua!”; “E aí? Pegou?”; “Nem.”; “Ah… Nossa, você não sabe o vestido que eu vi ontem!”, enquanto eu poderia responder “Nossa, ontem vi um loiro lin-do na rua!”; “E aí? Pegou?”; “Não gosto de ficar, amiga. Acho que assim a gente perde o respeito próprio.”; “Ah, mas depende, você não acha?”; “Porquê?”; “Pensa assim: se você fizer isso selecionando muito bem e conhecendo bastante a pessoa, não é vulgaridade.”; “Ah, não penso assim. Continuo achando falta de respeito.”. Não é bem, aliás, muito melhor? A conversa se estende, surgem novos assuntos, você cria opinião sobre outras coisas e é bem mais construtivo. Não digo que nunca cheguei para alguma amiga e fiz um escarcéu pr causa de um vestido ma-ra-vi-lho-so, mas isso sempre? Se torna cansativo e não serve para crescer como pessoa.

Enfim, não sou boba. O fato é: quase ninguém gosta ou quer pensar, nos dias atuais. Isso faz com que, qualquer um que tente se aproximar desse contingente com papos inteligentes e construtivos será rejeitado, chamado de nerd e chato. Esse grupinho deve achar que conversamos daquilo e só daquilo o dia inteiro. O que eles não sabem é que temos, sim, nossos momentos “vazios”, mas aproveitamos para filosofar ou mudamos de assunto rapidamente. Eles que não querem saber como evoluir espiritual e mentalmente. Problema de vocês, seus bobos.

Edição Especial – Entrevista (paralisia cerebral)

Lembram-se da Bárbara? (É claro que lembram, é simplesmente impossível esquecer uma pessoa como ela! ¬¬°). Pois bem, durante o último recreio ela me respondeu algumas perguntas a fim de montar uma edição especial diferente: ao invés de analisar e estudar uma deficiência/doença/distúrbio, vamos saber como é a vivência de alguém nessas condições.

Letii: Há vários graus de paralisia cerebral: qual é o seu e como afeta o seu físico?

Bárbara: A minha paralisia é classificada como diplegia espástica, que é um dos graus mais leves de paralisia. Ela afeta com mais ênfase os membros inferiores e também faz com que os impulsos nervosos nos músculos que relaxam o corpo são mais leves que nos contratores, resultando em desequilíbrio e a falta de uma marcha idêntica a de uma pessoa “normal”. É espástica porque há espasmo – reações involuntárias do sistema nervoso – que contrai ainda mais os músculos do paciente, deixando difícil para ele obter uma coordenação satisfatória do próprio movimento.

L: Qual a causa dessa paralisia?

B: No meu caso, foi prematuridade  (nasci de seis meses). Minha mãe teve uma infecção urinária e eu tive que ser tirada da barriga dela antes do tempo. Os bebês de seis meses não têm pulmões maduros, ou seja, há dificuldade em respirar – por isso, fiquei um minuto sem respirar; precisava o mais rápido possível de uma transfusão sanguínea, mas a equipe médica foi lenta nesse aspecto e causou a lesão cerebral.

L: Rancor?

B: Quando pequena,  eu ficava bem mal – mesmo porque, criança gosta de correr, de brincar e eu não podia. Era obrigada a ficar sentada, observando e isso é triste. Mas – hoje – agradeço, porque é por causa disso que sou quem sou. 🙂

L: Como isso afeta o seu emocional, psicológico e vida prática?

B: Bom, vamos começar pela vida prática, que é o mais perto da realidade: ainda preciso que alguém me dê uma “mãozinha” ou de uma muleta, porque estou em fase de transição (ela faz uma fisioterapia lascada, se é que posso escrever assim num texto como esse). O piso de casa não é e nem pode ser escorregadio; também não tem escada, há adaptações no banheiro (tomo banho sentada, por exemplo) e não faço esportes. No psicológico e emocional, você acaba tendo que pensar muito antes de fazer qualquer movimento, então se eu vou buscar um lanche na cantina e estou de muletas, tenho que colocar a bolsa mais pra trás – pra não atrapalhar – levantar, chegar na cantina, encostar a muleta, pegar o dinheiro, pegaro lanche, guardar o lanche na bolsa, colocar as muletas e voltar. Isso acaba por dar a impressõa de limitação e uma falsa sensação de ser incapaz – quando você não é. E tudo isso se transforma em emoção e sentimento (solidão, baixa auto-estima) caso você não possa detectar e tenha força, coragem e vontade de mudar a história.

L: Quer uma mordida do meu croissant?

B: Não, obrigada.

L: Isso afeta ou afetou a sua auto-estima? Como?

B: Afetou muito. Principalmente na transição da infância para a adolescência, por volta dos treze anos – que é quando penso estarmos mais vulneráveis. Eu me sentia solitária, achava que não podia frequentar os mesmos lugares que os outros, que ninguém me gostaria romanticamente, uma insegurança muito grande e que essa minha época etária não era para ser lembrada com alegria, o que me fez enfiar o pé na jaca muitaz vezez (risos). No sentido de deixar de me respeitar, colocava as outras pessoas num patamar superior e não me assumia. Mas, agora – graças à Deus – consegui reestabelecer boa parte da minha auto-estima. Acho que o processo de queda foi muito construtivo.

L: Quais as maiores dificuldades/desvantagens?

B: Não ter segurança com o próprio corpo e não poder ficar tanto tempo em pé prestando atenção a outra coisa. Só que isso é uma preocupação só minha, por exemplo: se você tem comida todos os dias, não vai se preocupar se está com fome, porque você sabe que vai ter comida quando chegar em casa; mas se você for alguém que passa fome, vai se preocupar. Comigo é a mesma coisa: as outras pessoas não têm que se preocupar com os movimentos que vão fazer, porque é muito natural – para mim não é assim, tão mecânico. Por causa disso, construí uma alma muito alegre e espirituosa, porque quando há uma pessoa que não te conhece, naturalmente, ela tira uma primeira impressão falsa e preciptada e eu me sinto na obrigação de diluí-la, revertê-la com papos e ideias; o que é o contrário com os outros: uma menina menina, vamos supor, é atraente em aparência, mas pode estagar tudo quando abre a boca.

L: Dá um gole do seu juninho?

B: Pode pegar.

L: Quais as maiores facilidades/vantagens?

B: Poder ver o mundo de um jeito único. Ser obrigada a buscar outras coisas (espiritualidade, grande empatia)…

Ana: Ai, para de falar difícil!

B: (risos)

L: Não é ela que fala difícil, você que não sabe falar. (risos)

A: É, acho que é isso mesmo.

L: Então…

B: Bom, você acaba deixando a sua marca, não passa despercebido e ganha muitas mordomias! (risos)

L: Como você acha que as pessoas te vêm?

B: Ninguém nunca passa uma única imagem. Eu acho que tem gente que me vê como batalhadora,  inteligente, interessada, alegre, espirituosa. Há quem veja defeitos existentes (teimosia, intromissão) e outros que pensem coisas equivocadas, o que pode acontecer com todos.

L: E como você queria que elas vissem?

B: A primeira opção da resposta anterior, é claro! (risos)

L: Anteriormente, nós conversamos um pouco sobre a questão da sensualidade e da sexualidade da mulher deficiente: qual o seu ponto de vista sobre isso?

B: (risos e piscadela ;)) Essa é uma das questões mais delicadas! Para qualquer menina e, para as deficientes (pelo menos para mim) se torna ainda mais. Eu acho que, de certa forma, é quase que natural do ser humano – ao visualizar um deficiente – associar à ideia de assexualidade, como se a pessoa não pudesse ser atraente, principalmente pela tendência da mídia de vangloriar os corpos perfeitos. Mas, cabe a  nós mesmas não cair na lábia desse povo sem noção (risos). Eu já me senti bastante desinteressante muitas vezes, e ainda me sinto. Mas faço o possível para reverter a situação. Uma coisa que não abro mão é da hidratação semanal dos cabelos. É um tempo que tenho para mim. Modéstia à parte, [tirando a paralisia] não tenho o que reclamar do meu corpo, estou satisfeita. Mas ainda é complicado tirar conclusões profundas a respeito da sexualidade, porque nunca namorei. Daqui a um tempo, quando encontrar uma pessoa corajosa o bastante para entrar nessa parada (porque, concordem comigo, é preciso ser corajoso, vá?!), poderei falar melhor sobre o assunto.

L: Como isso te fez crescer na vida?

B:  Me fez buscar tudo o que eu não tinha. Foi uma chance que eu tive para crescer. Não só os deficientes, mas creio que todas as minorias recebem uma possibilidade a mais para se tornarem melhores. Não que eu queira ser deficiente – ninguém quer – mas isso me colocou mais perto de Deus e eu agradeço.

L: Você hoje faz coisas que nunca pensou que conseguiria fazer? Quais?

 

B: Sim. No NR, por exemplo, eu achei que não iria curtir como os outros, fiquei insegura e tudo o mais. Mas acabou que eu pulei quase até o final da micareta, fui uma das primeiras da fila (na micareta), fiquei até o fim de quase todas as festas – apesar de ficar cansada por um tempo – andei a cavalo, de pedalinhos… Me surpreendeu! Nunca achei que seria tão bom!

L: Há coisas que você gostaria de fazer e não opde, em função da paralisia? Quais?

B: Tem muita coisa. Eu sempre quis fazer aula de dança, porque a dança me seduziu, sabe? Quando eu era pequena, dizia que queria ser dançarina ou trabalhar no circo. Também tem o teatro, que – mesmo que eu atue – nunca sai do jeito que eu gostaria. E tem o esporte, mas não sou muito ligada nisso.

L: Qual a sua visão do mundo?

B: Muito complicada essa, hein? (risos) Ah, o mundo é maravilhoso! Reconheço que está seriamente deturpado, não tem como negar, mas acho a criaçlão maravilhosa! Creio o objetivo dela fosse ter a Terra como paraíso, onde todo mundo seria feliz. Agradeço todos os dias por estar aqui.

L: O que você espera do mundo?

B: Espero que o mundo perceba o quanto ele se engana com certas posturas. Li isso e acredito piamente que a origem do mal vem do desejo de independência do homem de Deus. Espero que ele possa retornar à Ele e alcalçar a felicidade plena, ainda que isso demore gerações e gerações e gerações.

L: Um recadinho para as pessoas em condições iguais, semelhantes e/ou totalmente diferentes?

B: Começando pelas condições iguais: por favor, me procurem no orkut ou no msn (fofa_babi@hotmail.com). Sempre é muito construtivo conversar com quem está na mesma situação que você, literalmente; eu cresço com isso e ajudo a outra pessoa a crescer. Sobre as situações semelhantes, não cometam o meu maior erro: o de não aceitar a si próprio exatamente como se é, se diminuir, se subestimar. Isso faz com que a gente fuja da nossa essência e acabe perdendo aquele que é o nosso melhor amigo e sempre vai ser: nós mesmos. Até hoje, é minha maior dor. Quanto às situações totalmente diferentes, aconselho que vocês tentem encontrar, em pelo menos uma palavra que eu disse, algo que possa-lhes ser útil. É incrível mas, se você pensar bem, todos passamos por [basicamente] os mesmos dilemas. Observação superimportante: de certa forma, tudo o que eu falei parece clichê. Já li muitas coisas parecidas com tudo isso e senti até mesmo raiva, porque me parecia apenas um discurso vazio ditando o que eu deveria fazer e acreditar. Não queria que a conversa tomasse esse rumo, mas parece inevitável, hoje entendo! (risos)

Pra ser sincera, tinha mais uma pergunta – só pra fazer propaganda do blog (porque eu não sou nem um pouco cara-de-pau… Eu devia é lustrar a cara com Peroba. G_G) – mas isso já está grande demais. Bom, sejam bem vindos à maior edição especial desse blog [por enquanto]. O pior é: marquei tudo isso no meu caderno. E lá se foi o meu caderno de sociologia…

Beijinhos,

Letii

P.s.: aah, mas a Bárbara é linda, né? Olha o sorriso dela, gente! Me apaixono por ela cada vez que dou uma fuçada no orkut! Mas, o que em encanta mais, não é essa beleza, é a pureza, a felicidade, a esperança e o sonho do sorriso e do olhar… É como se ela decidisse sair da realidade e viver a fantasia que todo mundo quer. Como se corresse desesperadamnte por um caminho. Ela está sem fôlego. ela está cansada. Mas tem que correr, para chegar ao seu destino, seu objetivo. Todavia, resolve dar uma parada, curtir a vida, beber um copo d’água e tomar fôlego. Porque ela sabe que amanhã vai ser igual ao momento anterior. (Observa bem a foto da festa de quinze anos – a primeira que aparece)

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