A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

Void

Void

“Então, enquanto rolo em meus lençois,
e, mais uma vez, não consigo dormir.
Saio pela porta e subo a rua,
Olhos para as estrelas
abaixo dos meus pés.
Lembro dos direitos que fiz errado.
Então aqui vou eu.
Olá, olá.

Não há lugar que eu não possa ir.
Minha mente está turva mas
o coração está pesado,
parece?
Perco a trilha que me perde,
então aqui vou eu.

Então mandei alguns homens para lutar
e um voltou no final da noite,
disse que viu meu inimigo,
disse que se parecia exatamente como eu.
Então saí para me cortar.
E aqui vou eu.

Não estou chamando por uma segunda chance,
estou gritando no topo de minha voz.
Dê-me razão, mas não me dê motivo,
porque só cometerei o mesmo erro de novo.

E talvez um dia, nós nos encontremos,
e talvez conversar, não só falar.
Não compre promessas,
porque não há promessas que eu mantenho.
E meu reflexo me causa problemas,
então aqui vou eu.

Não estou chamando por uma segunda chance,
estou gritando no topo de minha voz.
Dê-me razão, mas não me dê motivo,
porque só cometerei o mesmo erro de novo.

Então, enquanto rolo em meus lençois,
e, mais uma vez, não consigo dormir.
Saio pela porta e subo a rua.
Olho as estrelas,
olhos as estrelas por ora
e me pergunto onde foi que errei.”
Same mistake – James Blunt

Estou me destruindo. Consigo inclusive escutar o piso muitíssimo espesso, de azulejos desenhados em vermelho e violeta, quebrando-se, ruindo dentro de mim. Às vezes, é de repente que ele se afunda em V e lança os minúsculos cacos quase em pó em meus olhos. Mas por outras tento contar quantas vezes consecutivas ele estronde enquanto se rompe se parar. Não consigo mais dormir à noite. Não me deixo. Só adormeço quando meu eu rende-se ao cansaço e a tristeza, à solidão. Entretanto, agora é diferente, porque sei o motivo de estar sozinha. Eu me obriguei a isso, obriguei aos outros fazerem isso c0migo. Ultimamente tenho sentido tantas coisas que não sentia mais. Acho. Provavelmente sentia, mas negava, fingia que não entendia, não queria acreditar. Tanta raiva, tanto egoísmo, tanta culpa. Penso que, no final, era para ser assim mesmo. O sono me toma pela fadiga noturna e por abrigar-se no vazio de meu corpo. Os vícios sumiram um pouco… Porque estou me apagando… Estou sumindo… Sinto que estou morrendo. Mas todos nós estamos, certo? É desesperador não saber o que fazer. Não quero fazer tudo isso comigo mesma… Eu pensava que meu maior problema era ter muita consciência sobre quase tudo. Mas acho que é o contrário que está me fazendo tanto mal. E tenho certeza de que há gente contente com isso. Ao mesmo tempo que isso me acende uma raiva ardente, quase esqueço-me da pena que também se cobre em minha penumbra… Eles não entendem a sinceridade de tudo isso.

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5 opiniões sobre “Void

  1. Gostei do blog. Parabéns!

  2. Paulo Batista em disse:

    me vi ultra nesse texto… (saudades daqui)

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