A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

O rio de água tenra

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“O que eu gosto no rio mais
é que ele nunca está igual,
a água sempre muda e vai correndo.
Mas não podemos viver assim
e esse é o nosso mal,
e o pior é que acabamos não sabendo

Lá na curva o que é que vem?
Sempre lá na curva o que é que vem?
Quero saber
lá na curva o que é que vem,
eu só vou ver,
aves a voar,
quero entender!
O meu sonho não me diz
lá na curva o que é que vem pra mim?
Que vem pra mim?

Eu não me canso em procurar,
um dia sei que vou ouvir
algum tambor distante que me chame.
E o estável lar que eu terei
irá me proteger,
quero segurança um homem que me ame!

Lá na curva o que é que vem?
Sempre lá na curva o que é que vem?
Quero saber
lá na curva o que é que vem,
eu só vou ver
que cheguei ao mar,
quero entender!
Meu destino está com quem?
Lá na curva o que é que vem?
Lá  na curva o que é que vem?

Que caminho vou seguir?
Qual a melhor solução?
Vou casar com Kocoum
ou devo então casar com quem?

Ou só sentir que meu sonho vive?
E depois da curva..”
Lá na curva – Pocahontas

Eu ouço a água tenra correr em correntes desfeitas, molhando a terra e as margens. A canção inebriante e hipnotizante da natureza líquida me toma por inteiro, por dentro, fazendo-me flutuar. O fogo é bonito e imponente, amedrontador, dominante; mas não supera a serenidade e dedicação da água em sua tarefa de correr do ponto alto ao baixo, explodindo algumas pequenas bolhas e nos embalando num frio aconchegante, quase morno. Eu gosto da água jovem, daquela água tenra como a maciez e moleza de uma pata de filhote de lobo. Posso ver o rio sorrir calmo para mim ao ver-me apreciá-lo. Embora a corrente seja fria, sinto-a muito quente, sem saber a razão. As gotículas embaçam minha visão, as pupilas, fazendo de meus olhos telas para uma nuvem de vapor. Deixo a correnteza me levar, sentindo o líquido incolor enfeitar-me com pulseiras e gargantilhas, e colares de ouro d’água. Ela me corre pelos braços, cobrindo-me o corpo. O nó da garganta não existe mais, ele se derrete no calor. E sou levada sem saber para onde vou. O que é a vida sem destino? Paz. Não sou sozinha. Um espaço limitado de margens gramadas e encharcado por uma veia aquosa, até estreita, me leva. De braços abertos, como Cristo na cruz, imagino que descerei por uma cachoeira mortal. Paro na margem, voltando à realidade e abro os olhos. Melhor desligar o chuveiro.

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4 opiniões sobre “O rio de água tenra

  1. Conhecido em disse:

    Oii!
    Quanto tempo, será que ainda vai se lembrar de mim???

    Beijoss

  2. Li seu texto duas vezes, e a única palavra que me veio a cabeça foi, que *incrível*. (:

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