A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

Arquivo para o mês “abril, 2013”

Pecadora maculada

divination

“Agarre sua arma,
hora de ir para o Inferno
Não sou heroi algum,
culpado como condenado

Procurar e destruir

Encontrei minha fé
vivendo no pecado
Não sou Jesus,
nem você é, meu amigo

Sou uma vadia,
o nascimento de sonhos quebrados
A resposta simples
nunca é o que parece

Em um milhão de pedacinhos
nós nos quebramos
Um milhão de pedacinhos
roubei de você

Procurar e destruir

Vendi minha alma
ao Céu e ao Inferno
Doentia como meus segredos,
mas nunca os contarei

Sou culpada,
peso de meus sonhos
Em uma maldição de fé
e numa benção acredito

Procurar e destruir

Deixe-me ir
Deixe-me ir
Deixe-me ir
Deixe-me ir”
Search and destroy – 30 Seconds to Mars

Como se eu lutasse contra uma morte inevitável. Enquanto meu coração atrofia, caio ajoelhada, sufocando no desespero de uma tortura sádica. Que fraqueza. Eu devia arcar com as consequências, não lamentar o fardo. É o preço por meter-me numa guerra tão vergonhosa. Tem razão em ficarem furiosos: se todos forçam-se a uma convivência triste e decadente, rejena de máscaras, que bons motivos tenho eu para fugir disto? Não cabe a mim decidir ou não a lógica de pagar por algo que não foi feito. Sou uma herege, vadia, prostitua. A escória das almas que se traem e correm, que assassinam a si mesmas. Nada é tão rijo como meu coração de pedra, de músculos plastificados e estrias salientes. Que ousadia essa minha de mostrar-me crua numa essência aérea e carnosa de esperança. Todos arcam e sofrem, que direito tenho eu de revelar-me deste modo? Porque sempre fui diferente. Porque nunca aprendi – por mais que surrassem meu rosto na terra batida até esfolar-me com a poeira – que sou insignificante; que só importa o que está acima de mim. Sou forçada a obrigar-me a prender-me apenas às indiretas sofridas na esperança não-recíproca, incapaz de pedir ajuda. As pessoas boas não se se não enxergam minha sina – mas as que enxergam a ignoram num sarcasmo doloroso e doentio, merecido. Vejo-me, então, sempre perante duas opções: sufocar no veneno empoeirado da garganta aos pulmões, sentindo minhas pleuras secarem e ficarem ressequidas e quebradiças; ou arder nas chamas gritantes do Inferno, atada a um mastro amadeirado e fervente; o feno escaldante queimando cada nervo sensível em meus pés. Bruxa maldita, morra em segredo e celebrarão quando notarem. Culpa sua ficar em evidência. Verme, parasita. Conseguiu o que nenhum de nós alcançou. Vagabundo, pecadora maculada. Seu coração será troféu quando terminarmos de te minar aos poucos, víbora traidora. Renegada, rejeitada.

Sinto-me cansada, acabada, esgotada, exaurida de todas as forças. Ofegante, corro fugindo da fogaréu às minhas costas, ainda sendo possível sentir as cordas em brasa se desfazerem em meus pulsos incendiados. A pele derrete ardidamente conforme a brisa forçada me arrebata. Rufo, lutando, espancando todas as cordas vocais na violência do apertar dos olhos, sufocando. Asfixiando. Nem o choro atravessa o ar negro em minha garganta. Sentindo as lágrimas reprimidas nas maçãs do rosto, em espamos internamente fortes e sem efeito real, caio, atinjo a terra. A rigidez da estrada me açoitando a face. E descubro, então, que o pó do veneno sempre foi fuligem tóxica.

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