A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

Arquivo para o mês “julho, 2012”

Loba devoradora de homens

Eu me desonrei, me desgracei. Sou um monstro vil, loba devoradora de homens. Eu, que sempre falei tanto de impor e ceder, só soube exigir. Eu, que desrespeitei-o por tantas vezes, como se fosse tão simples como andar para frente – e ele continuou ali. Ele sempre me apoiou, fez das tripas, coração para me ver sorrir. Como eu pude ser tão má? No final das contas, não sou menos cruel que muito assassino por aí. Acho que é por isso a razão de querer cuidar tanto dele, de querer vê-lo feliz. Porque sei que errei muito e errei feio. E mesmo eu o tendo feito, ele me aceitou de volta sem sequer hesitar – porque eu o fazia feliz. E eu tive a paxorra de jogar tudo no lixo, desprezar tudo o que ele proporcionou. Só o carinho, só o afeto… Só a supervalorização que ele me deu já é motivo o bastante para que meus atos sejam horríveis! Talvez eu seja uma pessoa horrível, insensível… Maldita, não valho a comida que como.

Talvez eu tivesse medo de tanta felicidade. Talvez eu não quisesse aceitar que ele era o príncipe perfeito. Mas, se há pouco tempo concluí que amor é algo muito mais forte que respeitar, cuidar e admirar… Se concluí que amor é fazer sacrifícios sem se importar quando te rasgam a carne, pois sua causa é tão infinitamente maior que qualquer sofrimento vale a pena… Se entendi que amor é uma sensação que explode e arde no peito, por que rezo todas as noites para que ele fique melhor? Por que me desespero nas tentativas de querer cuidar de você? Por que peço a Deus para que, se for preciso, que ele esqueça de mim para se recuperar? Por que, se pedir isso me dói tanto na alma?

Não quero criar esperanças, mas também não as quero destruir. Só preciso de um tempo para mim, para organizar a cabeça e relaxar. É tempo de purificação, meditação. Mas a culpa e a crueldade me consomem por dentro, alternando entre úlceras e cólera. Meu corpo se contorce, fazendo a areia impregnar no sal liquefeito em meu rosto. Um grito tremendo a rouquidão ecoa pelos grãos no solo e fecho o punho, pronta para me levantar em busca da catarse. Então dou meu último suspiro e, por ora, morro.

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