A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

Ponto-chave

 

“Você pode pensar que eu sou
um zero à esquerda.
Mas, ei, todo mundo que você quer ser
provavelmente começou como eu.
Você pode dizer que eu sou
um show de aberrações.
(eu não me importo)
Mas, ei, dê um tempo.
Aposto que você mudará de opinião.

Todas as pedras que você
tem jogado no meu caminho
não são difíceis de lidar.
(pois é)
Porque eu sei que um dia
você vai estar gritando meu nome
e vou apenas ignorar.

Apenas vá em frente,
ódio de mim,
fofoque pra todo mundo ouvir!
Me atinja com o pior que tem,
me derrube!
Baby, eu não ligo.
Continue assim e logo você vai entender
que você quer ser
um fracassado como eu.”
Loser like me – Versão Glee

Há muitos anos, eu conheci uma pessoa. Ela é toda feminina, entende de moda, é linda, tem o cabelo bom, é estilosa e sempre me humilhava. Tudo o que eu dizia era errado, não tinha fundamento e era constantemente chamada de idiota. Apesar de tudo, somos até hoje amigas. E mais uma vez na locução, eu sempre quis ser como ela. Nunca fui muito delicada, sempre andei por aí de jeans, tênis e camiseta. Nada que realçasse exageradamente as minhas qualidades de mulher. Prefiro ficar à vontade que me sentir presa numa calça inacreditavelmente justa. No entando, como qualquer outra espécime fêmea considerada humana, também tenho meus momentos de maguiagem, cabelo e roupa perfeita. Contudo, me parecia que – por mais que eu me esforçasse – ela estava sempre três vezes mais divina que eu. E eu me sentia mal por isso… Mas a gente parou pra conversar e eu descobri que ela tem inveja de mim. Como assim?!, eu perguntei. Ah, você é despojada, é inteligente, fala bem, escreve bem, é engraçada, é bonita e não se importa com o que os outros pensam, sabe? E, embora o assunto seja eu, não sei dizer com total certeza se metade desses predicativos são verdadeiros. Não quero me gabar com tudo isso, estou apenas repassando informações. O que quero realmente dizer é: sabe aquela pessoa chata da sua classe? Sabe aquele que sempre vem te encher o saco, que não larga do seu pé? Ele pode até te detestar, mas os motivos para isso não são as coisas que você fez ou não a ele. São tudo o que você é.

Desde a conversação citada – bem, não posso dizer que estou inteira e incrivelmente segura de mim – mas caminho por aí muito mais leve. É tudo questão de tempo, pois é com ele que as pessoas se acostumam a você. Já disse que não gosto de clichês, mas também afirmei que, quando os uso, é porque não encontrei expressão melhor. Seja você mesmo e os outros te aceitarão. Não é uma coisa rápida. Não é da noite pro dia. Mas, sim, um investimento a longo prazo que valerá extremamente a pena no futuro. Esse não é um texto de ódio aos odiadores. Não é um texto expondo quem está certo e quem está errado. Nesta produção, não há mocinhos nem vilões. Há os que seguem um ordem e os que seguem outra. Porém, de certa forma, eu tenho até dó de quem não sabe lidar com esse tipo de problema. Sem sarcasmo, tenho dó de verdade. Eles estão num outro nível intelectual e, ao menos na minha opinião, acho que seria vantajoso que eles conseguissem lidar com esse tipo de coisa. Mas, se você é um dos que se classificam nesse degrau acima e se sente deslocado na escola ou em qualquer grupo de convivência que seja o seu – não se deixe abalar. A vida é muito mais que isso e você tem a oportunidade de enxergá-la diferente. A sua vida não é a pior coisa que podia ter acontecido. Principalmente se você é adolescente. Tudo a sua volta é maravilhoso, lembre-se disso. Erga essa cabeça, perceba que você tem amigos (mesmo que escassos). Você pode, deve e vai ficar triste em algum momento – mas o importante é se levantar. Eu nunca fui muito assim. Sempre dramática demais. Mas aprendi isso esse ano. Compreendi em toda minha complexidade fantasiosa que o que há de mais importante é quebrar barreiras, superar as próprias expectativas te faz feliz. O ponto-chave é ser forte e ter coragem em si mesmo. A partir daí, você pode tudo o que quiser.

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