A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

Arquivo para o mês “novembro, 2010”

Cobertor

 

Acho tão engraçado ver as diferenças entre os pais. Vejam bem: papai e mamãe estão juntos há quase trinta anos (contando desde o começo do namoro) e ainda têm suas divergências. Minha mãe, quando eu e minha irmã éramos pequenas, tinha o costume de ir nos cobrir à noite. Deitávamos em nossas camas, ela pegava as cobertas e as lançava no ar para – logo após – deixá-la cair como uma folha sulfite e alcançar as superfícies de nossos pequenos corpos. De cabo a rabo, o edredom nos aquecia. De cabo a rabo mesmo: ele era tão grande em relação a nós que nos tampava o rosto. Mas mamãe se aproximava e dobrava a borda da coberta, dava um beijo de boa noite e ia embora. 🙂

Porém, outras vezes, quem nos cobria era papai. Ele fazia a mesma coisa: lançava-as no ar, deixava-as cair. E, ansiosas, ficávamos esperando aquela seção do tecido ser retirada de cima de nossos olhos e boca! Todas felizes e contentes! E papai ia embora e deixava a coberta na nossa cara. 😀 Que meigo.

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Filhos

Bom dia, pessoas legais que lêem meu blog. 😀 Há dois dias que estou presa a meu estado geek: estou lendo superanimada (sérião, está sendo a maior adrenalina) um artigo sobre TPL (Transtorno de Personalidade Limítrofe), na Wikipedia. Coloquei até um atalho no meu computador. Mas, bem. Estava eu aqui, com os pés em cima da mesa, ouvindo música, em meu momento geek. De repente – assim, sem mais nem menos – me veio à cabeça:

EU: Você pensa em ter filhos?

MENINA: Aham.

ou

MENINA: Ah, não.

 

EU: Você pensa em ter filhos?

MENINO: Agora, não.

Porquê, meu Deus?! É claro que não é agora! Eu, inclusive, não especifico o tempo porque é óbvio! Não estou irritada nem querendo encher o saco dos meninos. Eu só queria saber por quê. Ai, meu Deus. Essas pessoas querendo ter filhos instantâneos. Credo. Que gente estranha (AH, TÁ. Como se ler um artigo da WIKIPEDIA por livre e espontânea vontade fosse completamente NORMAL).

A casa dos vagalumes

 

“Você não acreditaria em seus olhos
se dez milhões de vagalumes acendessem o mundo
quando eu caísse no sono.
Porque eles preenchem o ar livre
e deixam lágrimas em todos os lugares.
Você me acharia rude, mas eu iria parar e assistir.”
Fireflies, Owl city

Natal é bom, não? Ninguém arruma a casa para a Páscoa, para Corpus Christi para o Dia da Independência. Mas, vinte e cinco do doze é vinte e cinco do doze. Ninguém pensa, só enfeita a sala e está tudo certo. A minha, pelo menos, está adornada. Tem meia para doce, fotos com o Papai Noel, enfeites frágeis, presépio e árvore. A parte que eu mais gosto é ligar os pisca-picas, apagar as luzes, sentar-me na poltrona e assistir. Ver as cores surgirem e desaparecerem no ar e em sequência. Só eu e minha irmã. Só nós duas, em silêncio, olhando a árvore. Dá uma paz interior, disse minha querida companhia. É, eu respondi com a fala mansa. A preocupação escolar rotineira de fim de ano sumiu, o nervosismo, a tpm, a camada de ozônio e a fome da África. Todos pararam para assistir os pisca-piscas. Pequenos vagalumes que fizeram daqueles ramos, seus leitos, seus lares. Numa alegria única, eles se sequências em piscos sincronizados – cada um dando o melhor de si! – para roubar dos jurados, uma nota dez. E, apesar de toda a garra, não vai importar se não conseguirem – pois estão em casa com seus filhos, suas famílias. Colocando a mesa para o jantar, fazendo suco de laranja e as crianças, lavandos as mãos. Vão todos sentar juntos à mesa, dar as mãos, agradecer por aquela refeição e comer alegremente. Estão todos felizes por terem a si mesmos. Todos cantando, conversando, limpando a boca. Os pequenos brincam e dão legumes ao cachorro. Imagino isso quando estou para subir as escadas e ir dormir. A cena final. O espírito natalino.

Feito aço

 

“Dura feito aço,
não despreze a minha voz rouca.
Não me julgue assim
nem me chame de louca.

Vou viajar pelo mundo num segundo,
pelos becos imundos
e sumir na fumaça
pra você achar mais graça.
Quero sentir sua ameaça de perto.

(…)

Não adianta mais falar de mim!”
Dura feito aço, Luxuria

Sempre me esqueço que pessoas interpretam as mesmas coisas de diferentes formas. Desde de a quarta série. Desde que começaram a dizer isso. Mas, ultimamente, ando percebendo bastante esse tipo de fato. Aliás, eu mesma tenho visto um único ponto de várias distâncias. E o trecho acima não é exceção.

Sabe quando você ouve uma música, lê um texto ou encontra uma imagem que te encanta? Pois, é. E sabe quando você não entende o que o autor quis dizer com aquilo, mas continua adorando sua obra? Isso me aconteceu com frequência quando comecei a ouvir as músicas dessa banda. Cantava (ainda canto) suas canções o dia inteiro, independente se estava no banho, em casa, na aula ou até mesmo cozinhando. Como cantava, pelo amor de Deus. E não entendia muita coisa daquilo que me saía da boca. A diferença entre essas músicas e segundos meios artísticos é que, os segundos eu entendia depois de um tempo. Pois ouvi, ouvi, ouvi e entendi bulhufas. Fiquei seriamente irritada: ou aquelas palavras pretendiam, realmente, dizer patavinas ou minha capacidade de entendimento havia sido afetada por algum choque mecânico/psicológico e eu não sabia.

É sério, vocês não têm noção do quanto escutei essas músicas. Até cansei, para falar a verdade. Mas não me entreguei tão fácil assim. Hoje, enquanto estudava a geometria dos prismas em meu quarto, cantava sem muita atenção na letra (estudo sempre ouvindo música). E, quando menos esperava, entendi. Parei os estudos, voltei ao início de Dura feito aço e cantei novamente – agora olhando o teto e sorrindo em função da compreensão.

Minha mãe nunca ficou muito feliz com meus ideias, sabem? Viver de arte, me tatuar, colocar um piercing no nariz. É difícil, as pessoas têm preconceito, é perigoso para a saúde, dói. Eu sei, mamãe, eu sei. Mas é perigoso. Mas eu quero, caramba. Só quando pagar as suas contas e se sustentar, aí eu penso no caso. Que nada, eu faço e depois te conto. Pensei, pensei. E essa música me disse o que eu queria. Dura feito aço, eu sou. Não me julgue pelo o que quero fazer, porque farei. Eu sei de tudo o que você falou e tenho plena consciência do que pode acontecer. Mas não vou viver sem ter tentado. Não vou deixar de fazer o que quero. Ok, posso esperar o momento certo – sem problemas. Escreva o que digo: realizarei inteiramente o que digo hoje e, não se preocupe, porque enfrentarei tudo aquilo que você, mãe, tem medo. Aquilo que te ameaça. Não quero e nem estou sendo petulante: só quero dizer que te respeito, mas vou seguir o meu caminho. Ai, não gostei desse texto. Mas queria escrever sobre isso. Ah, não vou publicar. Ah, vou, sim. Sei lá, tchau. U_U

Beijinhos,

Letii

Lambidas no meu nariz

 

Para quem não sabe, eu tenho uma cachorra. Chama-se Sarah. Há um ou dois dias, saí no quintal e ela veio me “cumprimentar”. Sentou, deu a pata, olhou para mim com seus olhos redondos e sobrancelhas engraçadas. Sentei-me no degrau, enfeitiçada por sua doçura, e pus-me a acariciar seu pêlo negro e brilhante. Ela deitou no meu colo, abracei-a, conteinue com as carícias. “Beijinho, Sarah.”Eu dava o comando. Em reposta, ela lambia meu nariz. Com ternura, dei-lhe um beijo entre o olho e a orelha direita.

À princípio, este é apenas um relato. Apesar de já ter vivido cenas parecidas antes, este dia significou-me algo. Faz um bom tempo que comecei a estudar biologia animal e passei a ver os seres viventes com outros olhos. Quem não vê o que vejo pode enxergar tudo de uma forma automática os animais. Eu vejo seres com necessidades, assim como os humanos. Penso em seus ciclos de vida, nas ações por instinto por eles cometidas que ajudarão no funcioanmento de seus organismos. Neste caso, foi o cachorro. Ou melhor, a cadela. Mamífero, glândulas mamárias, sebáceas, sudoríparas. Dois pares de membros locomotores, pêlos que ajudam na homeotermia. Talvez eles mal saibam que exista tanta coisa acontecendo em seus corpos. “Sarah, beijinho.”, eu dizia. Lambida no meu nariz, para meu agrado. Uma bitoca entre o olho e a orelha direita. “Engraçado, né?”, pensava comigo mesma. “Meu beijo não é igual o dela mas – assim como eu sei que essa lambida é a sua forma de expressar carinho – ela sabe que encostar os lábios na pele dela, é a minha.”. Foi então que um sorriso dse abriu em meu rosto. “Ah, entendi.”, continuei. “É amor interracial.” Respirei. “Seres humanos idiotas. Beijam cachorros, abraçam seus animais (sejam quaisquer que forem) e desprezam outros humanos por causa de cor.”.

Maldito computador

Oooi, gente! Esse computador é da minha tia. Ela ganhou de presente, eu acho. O computador é da Italia. Nao tem til, nao tem acento agudo (sò crase. èàòù … Viram?) , nao tem arroba, o underline fica junto do hifen e do sinal de soma  e tem um monte de tecla que nao usamos em lugares estratégicos para usa-las. G_G Ah, é. Sò tem crase, mas a letra E com acento agudo tem. (é uma tecla com o E com acento, mas nao da pra escrever o E acentuado maiusculo. As letras ja vem acentuadas, é um saco). Hum, é mesmo: tem acento circunflexo, mas voce nao consegue colocar na letra. Sai assim: ^e ou e^. Meu pai e meu tio estao fazendo churrasco. Alias, sò meu tio (papai ta falando que vai jogar minha tia na piscina). Estou morrendo de fome, essa tiara esta apertando minha cabeça e (UOU, tem ç! *emoçao*) nao tem nada pra fazer. Ai, maldito computador da Italia. G_G

Beijinhos,

Letii

P.s.: Apesar de tudo, estou MUITO feliz! 😀

Fucking

Minha irmã e eu temos o costume de assistir a séries legendadas (no caso, esta série). Considerando este fato, saíamos do restaurante onde havíamos acabado de almoçar e eu estava repetindo a fala de um personagem.

Eu: Geez, it’s like hugging a futon!
          Jesus, é como abraçar um futon!

Sister: What?
                 O quê?

Eu: Geez, it’s like hugging a futon!
          Jesus, é como abraçar um futon!

Sister: What?
                 O quê?

Eu: Geez, it’s like fucking… Opa!
          Jesus, é como foder… Opa!

(Ok, imaginem alguém fucking a futon. Tenso.) Bom, está certo. Continuamos a conversa.

Sister: Ai, Lê. Uma vez, eu tava vendo tevê e achei um programa. Aí, tinha o filho que foi falar com o pai. E era assim:

Daddy, daddy! Can you buy me a toy car?
– Papai, papai! Você pode me comprar um carrinho de brinquedo?

-Sure! But I’m not your daddy. Because, if you ask me EVERYTHING you want, I am a FUCKING SANTA CLAUS!
-Claro! Mas eu não sou seu papai. Porque, se você me pede TUDO o que você quer, eu sou uma PORRA DE PAPAI NOEL!

Huehuehuehue. Eu ri. Ai, ai. Por hoje, é só. Até mais ver. ;D

Redenção

 

“A melhor coisa que se pode aprender é amar
e, em troca, amado ser.”

Moulin Rouge

Há um bom tempo estou tentando definir o amor. O que estou sentindo, digo, já que escrevi passadas vezes sobre isso. Ouvi milhões de músicas apaixonadas, cantei-as repetidas vezes tentando encontrar uma que se encaixasse perfeitamente em meu atual estado emocional. Cansei, não desisti, cansei, não desisti, cansei e desisti. Bandeira branca ao amor, eu me rendo! Ele me venceu! Venceu com todos os seus códigos, seus símbolos. Todo seu poder centrado numa coisa só: a incompreensão. Não, não era incompreensão que queria dizer. É… Ah, sim. Em ser indecifrável. Depois de tanto pensar, filosofar, contruir teorias, ouvir explicações, eu cheguei a lugar nenhum.

É engraçado como as sensações vêm sempre diferentes. Cada uma mais intensa que a outra, cada vez mais gostosas de se sentir. Vontade de ser interminável. E amor. Amor. Ah… Amor! Não canso de repetir. É amor, fazer o quê? É amor, e amor, e amor, e amor, e amor! Sorrir, chorar, sonhar, se animar… Amor. Tudo se resume no amor. Você pode brincar, você pode contradizer, você pode fazer o que quiser – o amor passa por cima. Está certo que, tecnicamente falando, ele não é mais forte que a vida nem a morte. Mas é mais forte que o homem. Ah, isso é! Ele vence a razão e nos torna impulsivos. Ele nos faz esquecer da soberba e transforma-nos em amantes incondicionais. Ele rouba nosso fôlego e faz sonhar.

No fim das contas, não saí do lugar: isso continua indecifrável para mim. É algo que não entendo, que não sei explicar. Definir, menos ainda. Felicidade, emoção, perfeição. Não posso afirmar que seja isso em toda a sua integridade. Não sei se é inocente, se é puro, se é mágico. Ah, não. Mágico, é. De qualquer forma, está muito acima de mim. Não sei e nem poderia entendê-lo. Não enquanto me encaixar na condição humana. Não enquanto viver. Aqui nem agora. Mas, bem. É amor. E a única coisa que posso dizer é que te amo. E que estou apaixonada por você.

Promessa

Oi, gente. Faz tempo, né? Então. Desmotivei. :/ Mas não desisti! o/ E também ando sem muito tempo. Enem, semana de provas que vem aí, teatro. Tudo muito corrido. :S Mas, prometo postar mais, ok? Só não sei se rola na semana de provas. -.-º Mas ainda temos tempo. Uma semana ou coisa parecida. LOL

Beijinhos,

Letii

Matemática

 

Eu costumava dizer que toda história de ficção tem uma pitada de realidade – pois para que alguém a colocasse na fantasia, era necessário que algo muito semelhante já tivesse acontecido. Mas não sei se acreditava fortemente nas palavras que me saíam da boca. Tudo porque as pessoas nunca me pareceram saídas de filmes. Sempre muito quietas, muito fechadas, muito… Mecânicas. Nunca imprevisíveis do jeito que eu previa, nunca com respostas parecidas com as que eu achava apropriadas. E também nem um pouco animadas. Sem diferenciais, sem coisas loucas para fazer na vida. Só… Pessoas. E é aí que eu via a magia do paralelo de surreal. Meninas-mulheres delicadíssimas sendo envoltas pelos braços de seus princípes-cidadãos-comuns. Ou raparigas desleixadas que eram amadas por seu jeito de ser. Ou sujeira social sendo conciliada com amor e tornando-se uma coisa bonita de se ver. E eu amava imaginar. Por algum tempp, acreditei que para que pessoas fossem do jeito que eu queria teria que ensiná-las. E sabia que não podia fazer isso. Seria antiético.

E a vida foi passando, o tempo foi acontecendo e eu nos filmes. Filmes lindíssimos que eu nunca teria. O que não sabia é que teria. Teria, sim. A mim pertenceriam as falas, as cenas, os ângulos, a iluminação e os atores. Ou um ator, só. É, acho que assim a metáfora fica melhor. As falas, as cenas, os ângulos, a iluminação e o ator. Sempre que podia, perguntava a toda a gente quais eram suas sensações, pensamentos, o que achavam. Coisas que normalmente não diriam às outras, mas a si. Coisas que, em filmes, gente fala. E na realidade, gente cala. Eu perguntava porque queria ouvir a vida soar no mesmo tom que tela de cinema. Mas nem sempre dava certo. E o ator… Ah, o ator! Ele me fala o que quero ouvir. O que ninguém nunca disse, ele diz. E sem precisar de quaisquer indícios meus. Ele só fala. Minha vida numa tela de cinema. As cenas que eu sempre quis, agora são minhas. São parte de mim. A filmagem é a melhor parte. E o ator… Ah, o ator! Trouxe seu próprio negativo. E eu também trouxe o meu. Que bom… Que bom que dois negativos fazem um positivo.

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