A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

Arquivo para o mês “agosto, 2010”

Visitas

Uoooou! Não sei se comentei, mas as visitas do blog tinham caído demais. Hoje, eu entrei e adivinhem só? Cresceu de repente! Olha, me perdoem por não postar. Não estou muito bem, sabem? Alguns problemas, muita coisa na cabeça. Mas, continuem visitando que voltarei! õ/

Beijinhos,

Letii

Sem ideias

Sem ideias, hoje. D:

Beijinhos,

Letii

A guerra

 
“Algumas pessoas riem, algumas pessoas choram, algumas pessoas vivem, algumas pessoas morrem, algumas pessoas correm, correm fogo adentro, e algumas pessoas escondem cada desejo.”. Ana, você é minha amiga. Se tenho algo a temer, é perder você. Ana, você está em apuros. “Algumas pessoas lutam, algumas pessoas caem, outras fingem que não ligam apesar de tudo.”. Eu quero te ajudar. Mas não faço a mínima ideia de como. Tentei. Não consegui. “Mas nós somos os amantes, se você não acredita em mim, então apenas olhe em meus olhos, porque o coração nunca mente.”. E não vou parar, amiga. Com ou sem arma, provida de experiência de guerra ou não: eu estarei com você! Vou lutar e defender, com flechas ou espadas. “Se você quiser lutar, eu ficarei ao seu lado. O dia em que você cair, estarei bem atrás de você para pegar seus pedaços.”. Não vai ser fácil – eu sei disso – mas não desistirei, entendeu bem? Você é significante demais para que a situação seja considerada apenas uma batalha. Lágrimas vão rolar de meus olhos e dos seus, sairemos talvez com sequelas e curativos a fazer. Mas, sairemos, ok? “Se não acredita em mim, então apenas olhe em meus olhos, porque o coração nunca mente.”. Não vou te abandonar, escrva minhas palavras. Nem hoje nem amanhã. Ana, você é minha amiga. Ana, eu sou sua amiga. Você me protegeu durante o ataque nas fronteiras e vou fazer o mesmo! Independência ou morte! “Outro ano se passa, e ainda estamos juntos. Não é sempre fácil, mas estarei aqui para sempre.”. Essa é a hora de deixar o que é meu de lado e te ajudar. Não importa se minhas tropas serão atacadas pela manhã ou não, o que importa agora é você. Ana, eu te amo. Mas te amo muito! “Sim, s0mos os amantes. Eu sei que você acredita em mim, quando você olha em meus olhos, porque o coração nunca mente.”. Qualquer coisa que precisar, diga-me: mantimentos, armamentos, soldados. Serei afetada? Sim. Me preocupo com isso? Não. Porquê? A vida é curta demais para pensar em si mesmo. E você também não deveria se deixar abalar por causa disso: não vamos perder, ouviu? Pois não permitirei que se renda e – até que essa guerra seja ganha – pode contar com sua aliada.
(The heart never lies, McFly)

Chá

 

Pessoas são como cafés-da-manhã. Cada um é diferente do outro, mas são sempre cafés-da-manhã. Em alguns há pães franceses, manteiga, requeijão. Em outros,  pão de fôrma, geleia e bolachas doces. E, no meu, chá gelado. Desde pequena – assim que despertava – me arrumava logo e corria para a cozinha, enchia um copo e bebia. Tudo só para sentir o fluido gelado correr pelo meu corpo quente da cama. Era bom demais. Mas, um dia – sem mais nem menos – trocaram-no por suco de caju. Detesto caju. O gosto me amarra a boca, o cheiro me enoja. Pedi explicações e nada. Tentei tirar dúvidas e nada. Pois bem, me conformei. Me tornei provida da tentativa de acostumar com a situação. Mas não consigo. O gosto continua a atar minha língua e dentes e o cheiro todavia me causa tonturas. E mesmo me expressando, proferindo todas as palavras de desgosto, nada. Estou ficando preocupada. Ninguém me explana o que houve, ninguém quer falar a respeito. Fico feito uma boba, sem saber o que se passa, enquanto todos correm pra lá e pra cá entre as prateleiras do supermercado procurando mais suco. Estou parada. Muda. Impotente. Paro e fico, tentando descobrir a razão de tudo aquilo. Gasto horas a fio. Me sinto mal por não saber do que se trata. Já não me importa se estou olhando para você ou não, quero apenas saber porque me tiraram meu querido chá gelado.

Digam-me apenas

Não me digam que ficará tudo bem, porque não vai. Não me falem que a situação vai melhorar, porque não vai. Não é nada grave, mas eu tive um dia ruim. Pode ser que, à noite, eu esteja mais contente ou tenha até me esquecido da razão de estar chateada – mas, agora, o dia não vai melhorar. E nem quero que melhore. Estou mal, não quero conselhos, não quero ajuda. Quero enfiar a cara no travesseiro e chorar. Quero gritar bem alto e espernear. Meu dia não precisa estar alegre agora. Sem companhia, ao som de músicas desanimadas e está tudo bem, pois é assim que quero ficar. Esperar a poeira baixar. Esfriar a cabeça. Só não me falem que vai ficar melhor, já pedi. No momento em que eu desejar, o dia deixará de ser uma nuvem carregada e cinzenta. E isso não é deprimente. Sinto-me até feliz de dizer essas coisas. Porque sei que depois vai melhorar e, talvez, seja até por isso que não quero que me falem coisa alguma. Já sei que vai, quero ficar brava pra curtir o momento. Então, não digam que não posso ser assim e nem tentem me consolar. Digam-me apenas que tive um dia ruim.

P.s.: Pronto, passou. 😀 (eu disse que ia passar)

A mentira

Todo ser humano é obrigado a entrar na realidade. É, porque vive nela. Faz parte do real. Alguns já nascem superrealistas, mas outros precisam de uma ajuda. E eu fui uma das que precisou. Não afirmo que tenha adiantadao algo, mas precisei. Desde que comecei a brincar, ler e escrever, abri minhas portas ao mundo da fantasia. Personagens aqui, histórias ali, tudo do meu jeitinho. E tudo foi muito bom até o tempo me pegar, me envelhecer e tirar minhas regalias. Se trancar a sete chaves num cofre de surreal já não era mais permitido e eu tinha a obrigação de fincar meus pés ao chão e viver o que acontecia à minha volta. Fui até medicada por causa disso. Senti-me triste, arrancada de meu próprio lar. Se sempre morei ali, por que me mudar? Já conhecia a todos, suas ações e reações, emoções, perguntas, respostas. Mesmo que os vizinhos divergissem de minhas opiniões e atitudes, eu já estava na vizinhança há anos e aprendi a conviver naquele meio. Exatamente.

Aos meus poucos anos de idade, antes mesmo da famosa puberdade, tinha uma imagem totalmente hipócrita, clichê e banal de frases como “Vou parar de respirar se não te ver nunca mais”, “Preciso de você para viver”, “Eu te amo incondicionalmente”. E são apenas alguns dos exemplos. Ao meu ponto de vista, era tudo da boca pra fora, dito para encantar e todos acharem maravilhoso. Mas isso mudou. Minha convivência no bairro de meus sonhos me tornou uma pessoa mais empática. Esse mundinho particular me proporcionou sentir-me como jamais sentira antes. Alegria genuína, tristeza inconsolável, saudades de verdade. Coisas que eu tinha certeza de saber o que eram e terminei por perceber que não era bem assim. E montei meu sobradinho na realidade – ainda que muito ligada à imaginação – e lidei com as situações utilizando do que me foi passado noutro lugar. Aconselhei, amadureci, me felicitei. O que todos reprimiam em mim é o meu maior bem, pois foi a “mentira” que me fez compreender a verdade.

E morre

Eu tenho dó de quem morre assim. De repente, sabe? Por coisinhas idiotas. Ou então aqueles que se machucam feio sem querer. Uma jovem alegre, vivaz, animada, vai ao parque de diversões, pula de bang jump, a corda solta e morre. Uma criança linda, de cabelos macios e sorriso perfeito põe o dedo na tomada, é eletrocutada e morre. Amigos vão à praia querendo se divertir, um deles entra no mar, se afoga, é trazido à terra firme, feita respiração boca-a-boca e morre. Irmãos que correm em brincadeira pela casa, num dia comum, tropeçam na escada e morrem. A mãe sai às compras, numa tarde corrida do cotidiano, os filho na escola, o marido no trabalho; é atingida por uma bala perdida e morre. Marcelo Rubens Paiva, aos vinte anos e uma mente inteligentíssima, pula bêbado num lago de meio metro e quase morre. Você lê essas coisas, acha que não curtiu a vida intensamente, tem vontade de chorar, pensa em como o tempo é pouco, que não é só um clichê, se arrepende por tudo e morre.

E presto atenção

 

Alice era seu nome. Curtos cabelos lisos de criança de um ano. Naturalmente louros. Sem ajuda de maquiagem, os cílios se separavam em perfeita distância – deixando pairar a impressão de uma boneca no ar. Rosto de bochechas gordas, extrememante apertáveis. Olhos castanhos ao mesmo tempo que transpareciam. Unhas desenhadas pelo divino em dedos tão pequenos e delicados. Sílabas simplesmente não concordando em formar palavras, mas que traziam alegria àquele quintal. Pega a bolacha com as duas mãos, pois ela é muito grande para suas palmas macias, entrega o outro biscoito à pessoa do lado. Pés sem muita coordenação aprendida em formato de pão bisnaguinha. Você quer colocar o chapéu? Gostou do colar da titia? Então, coloca. Ai, que linda! Abraça a mãe, brinca com o cachorro, encara a moça que está falando com você. Todos brincam. Todos falam. Todos a querem. Fico quieta. Prefiro cerrar os lábios. Aproveitar o momento de outro jeito. Ver as coisas de outra forma. Enxergar coisas que os outros não enxergam, porque agora vivem o momento como querem. Filosofar. Pensar dentro de mim. Para mim. Encher meu ego de nada. Tirar conclusões sobre tudo. Não posso explicar. Não dá. Só sinto. Só emoções. Meus olhos brilham. A vida está logo ali. E eu sento. E presto atenção.

O banco

Um banco de tábua torta
São Paulo dos anos 40
Folhas secas em volta
Uma rua asfaltada e poirenta

Um banco de tábua torta
Uma calçada de pedra para sustentar
A gente que passa é porca
E faz uma papelzinho magenta a visão atrapalhar

Um banco de tábua torta
Um ônibus branco a passar
Vejo tudo por uma porta
Que transita branco, dourado e vidro em meu olhar

Um banco de tábua torta
E ninguém pra sentar no banco

Uma música

E quando eu estiver triste, simplesmente me abrace.
E quando eu estiver louco, subitamente se afaste.
E quando eu estiver fogo, suavemente se encaixe.
E quando eu estiver bobo, sutilmente disfarce.
Mas quando eu estiver morto, suplico que não mate – não – dentro de ti,
Mesmo que o mundo acabe, enfim, dentro de tudo o que cabe em ti.
Sutilmente, Skank

Porque, às vezes, é impossível modificar uma música para falar perfeitamente o que você quer dizer.

 

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