A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

Arquivo para o mês “maio, 2010”

Pura adrenalina

Ontem – sem querer – dormi na aula. Foi pura adrenalina! \O/

P.s.: Quatro mil seissentas e trinta e cinco visitas mensais! Sabem quantas anuais? Ok, ano passado foram 7.533, mas, só esse ano, já foram 12.146! Valeeeeeu!

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Exato

Nem se um dia me dessem a chance, dinheiro, casa mobiliada, marido, filhos e um futuro certamente promissor eu iria querer alcançar a perfeição. Não quero, não gosto. Se me permitem chamá-Lo de pessoa – para um melhor analogia –  Deus é a única pessoa perfeita existente num planeta inteiro e nunca foi visto, tocado ou contatado. Além do mais,  a única pessoa perfeita está sendo chamada de pessoa por causa de uma analogia, ou seja, nem pessoa ele realmente é! Tais fatores me levam a concluir novamente: não quero ser perfeita. Em primeiro lugar, já sou uma esquecida pelo mundo e pela sociedade, viver isolada do ersto da população é pedir para morrer sozinha; em segundo lugar, a condição humana me encanta (tanto em aspectos físicos como psicológicos). Mas, o que é essa condição? É o posto de defeitos, declines e maus-entendidos. É tudo aquilo que se deixa levar pela carne, acha que sabe tudo mas teme o desconhecido. É a definição exata de imperfeição. Me agrada essa ideia – não para fazer “tipo” ou porque aprendemos com os erros – porque, quase inexplicavelmente, me agrada. Ser composto de defeitos acentuados ou leves (assim como qualidades) que ajudam na construção de uma personalidade que identifique exclusivamente uma única pessoa é um conceito tão humano quanto maravilhoso para mim! Ser humano e ser humano é, como dito, é a definição exata de imperfeição. Exato: adjetivo masculino; precisão, em que não há erro, ajustado com perfeição. Não tinha pensado nisso.

P.s.: São quatro mil cento e vinte cinco visitas mensais! OH, GOD. Obrigada. :’)

Minha sina

Ela tem cabelo bem curto, vive maquiada, só tem brincos legais, não está nem aí com as coisas, está sempre com um monte de aneis nos dedos, pintou os cabelos de várias cores e usa calcinhas do Bob Esponja, Patrick Estrela e Sandy Bochechas. Ela é a Tuti. Desde que ela começou a ficar punk desse jeito, passei a admirá-la. Tentei tanto, procurei tantas saídas e ela, sem mais nem menos, consegue ser tudo o que eu queria, sem problemas aparentes! É, simpelsmente, a perfeição para o meu ponto de vista. Dá até um gostinho de inveja na boca. Continuo com incansáveis tentativas, até copio atitudes e vestuário [às vezes] e parece que, por mais que eu chegue vestida de jeans e blusa preta, passe uma maquiagem diferente e tire fotos legais, ela sempre está melhor, mais natural e estilosa. Mas também há vezes em que estou prestes a realizar algo de inspiração nela e desisto, porque meus valores não encaixam na ação. Usando de exemplo o fato de ela já ter colorido o cabelo várias cores legais, diferentes e brilhantes: já pensei em colorir o meu de roxo, mas tenho que descolorir antes e meu cabelo é fraco para química, o que estragaria ele inteiro. Logo, desisto de colorir o cabelo, porque sei que lá na frente, o meu estará uma porcaria – caso o faça. E sabem que até fico feliz? Porque me sinto eu mesma, com valores próprios e opiniões formadas. Me dá vontade de sorrir e vem à pele a essência exclusiva de ser quem sou, fazendo arrepiar. E tudo isso num tempo concomitante, trazendo-me a alegria de ser única, mas fazendo viajar para longe a proximidade daquilo que gostaria de ser. Minha vida, minha vontade, minha excentricidade. Minha sina. (:

Bobos

Até ontem, me considerava uma pessoa boba pelo fato de nunca conseguir me socializar direito. Impossível que todo mundo conheça e converse com tanta gente e eu tenha três amigas nas escola inteira. Impossível que minha irmã conheça meio mundo e eu continue com o meu trio amigo. Impossível que isso seja normal. Nem morrendo de tentar eu tinha uma conversa de, no mínimo dez minutos, com outrem que não fosse meus amigos/namorado/irmã. Achava que isso se devia ao fato de eu conversar sobre coisas estúpidas que as pessoas achavam ridiculamente medíocres. Eu e Ana, por exemplo, damos mais risada que conversamos e – quando conversamos – são lógicas internas sobre coisas cotidianas. Esclarecendo: se meu All Star está apertado e eu, por alguma razão, acho que a ponta dele está parecendo um nariz, logo pés têm narizes. Sim, é infame. Mas gargalhamos à beça. Contudo, enquanto conversava com a Bárbara durante a aula, percebi que nada se deve à esse fato. Eu comentava sobre meu dilema dos objetos, quando ela disse: “Sabe o que eu gosto? Que, com você, eu posso falar de qualquer coisa, tipo esse assunto que você falou. Se eu dissesse isso para outra pessoa, ela olharia pra minha cara e diria: afe, como você é ridícula.”. Foi então que veio à tona uma nova percepção: eu não sou boba. Bárbara e eu começamos em objetos e terminamos em crenças e religiões. Nós conseguimos levar a conversa para um rumo lógico e filosófico, onde discutimos sobre relevantes fatos da sobrevivência nossa de cada dia. É como concluíu Bárbara: “Não somos pessoas vazias.”. Sem ofensas mas, para quê conversar “Nossa, ontem vi um loiro lin-do na rua!”; “E aí? Pegou?”; “Nem.”; “Ah… Nossa, você não sabe o vestido que eu vi ontem!”, enquanto eu poderia responder “Nossa, ontem vi um loiro lin-do na rua!”; “E aí? Pegou?”; “Não gosto de ficar, amiga. Acho que assim a gente perde o respeito próprio.”; “Ah, mas depende, você não acha?”; “Porquê?”; “Pensa assim: se você fizer isso selecionando muito bem e conhecendo bastante a pessoa, não é vulgaridade.”; “Ah, não penso assim. Continuo achando falta de respeito.”. Não é bem, aliás, muito melhor? A conversa se estende, surgem novos assuntos, você cria opinião sobre outras coisas e é bem mais construtivo. Não digo que nunca cheguei para alguma amiga e fiz um escarcéu pr causa de um vestido ma-ra-vi-lho-so, mas isso sempre? Se torna cansativo e não serve para crescer como pessoa.

Enfim, não sou boba. O fato é: quase ninguém gosta ou quer pensar, nos dias atuais. Isso faz com que, qualquer um que tente se aproximar desse contingente com papos inteligentes e construtivos será rejeitado, chamado de nerd e chato. Esse grupinho deve achar que conversamos daquilo e só daquilo o dia inteiro. O que eles não sabem é que temos, sim, nossos momentos “vazios”, mas aproveitamos para filosofar ou mudamos de assunto rapidamente. Eles que não querem saber como evoluir espiritual e mentalmente. Problema de vocês, seus bobos.

Objetos

Um dos meus maiores dilemas começou quando me ensinaram a jogar stop. Preenchia tudo, mas quando chegava em objeto… “Letícia, navio não é objeto!”. Porque não? Porque não dava para pegar. Tudo bem, segui minha carreira no stop quase no bem-bom, porque sempre enroscava naquela maldita categoria. Até um dia que colocaram “navio” como objeto. Então, eu – toda pomposa por corrigir alguém – expliquei que navio não era objeto. E qual não foi a minha surpresa? “É claro que é objeto: dá para tocar, então é objeto.”. Caramba, e agora? Não é objeto porque não dá para pegar, mas é porque dá para tocar. Como é que eu faço? Pois bem, passei outros longos e corridos anos sem saber a definição exata do que é um objeto. Até hoje. Perguntei ao meu professor, que procurou no dicionário e respondeu: “Objeto é tudo aquilo que pode ser visto ou sentido. É claro que navio é objeto: se não fosse, porque o OVNI é – que também é um meio de transporte – é um Objeto Voador Não Identificado? E pior: porque o navio, que eu vejo com mais frequência não é e o OVNI, que eu nunca vi, é?”. Então está aí. Pratos limpos sobre a mesa: navio é objeto, sim! Bando de trapaceiros. ¬¬°

A queda

Minha irmã estava saindo do banheiro, quando eu saí correndo e ela me ouviu, mas assustou do mesmo jeito (deu um grito que só!). Eu ri bastante e voltei com a vida normal. Passado uns vinte ou trinta minutos, eu estava no quintal, brincando com a Sarah (pra quem não sabe: a minha rotweiller). O portãozinho para o quintal estava aberto e  eu estava bem à frente dele. Minha irmã veio correndo e berrando, para se vingar do susto – mas ela escorregou e foi de cara no chão, com os braços esticados para cima e afinou o berro para um grito de queda. Ambas começamos a rir, mas – de repente – a cachorra pulou em cima da minha irmã e começou a brincar. O problema é: brincar, para a Sarah, é a mesma coisa que a)se jogar em cima do outro, b)morder de brincadeira, c)pisar na barriga/ombro/pernas, d)babar, etc. E toda vez que a pobre da vítima tentava se levantar, a Sarah agarrava-a com as duas patas e puxava-a de volta para o chão! E o que fez a minha pessoa? Ficou rindo e pediu pra minha irmã parar de cair no meu caminho, pois eu queria usar o compoutador. 😀

Beijinhos,

Letii

Edição Especial – Entrevista (paralisia cerebral)

Lembram-se da Bárbara? (É claro que lembram, é simplesmente impossível esquecer uma pessoa como ela! ¬¬°). Pois bem, durante o último recreio ela me respondeu algumas perguntas a fim de montar uma edição especial diferente: ao invés de analisar e estudar uma deficiência/doença/distúrbio, vamos saber como é a vivência de alguém nessas condições.

Letii: Há vários graus de paralisia cerebral: qual é o seu e como afeta o seu físico?

Bárbara: A minha paralisia é classificada como diplegia espástica, que é um dos graus mais leves de paralisia. Ela afeta com mais ênfase os membros inferiores e também faz com que os impulsos nervosos nos músculos que relaxam o corpo são mais leves que nos contratores, resultando em desequilíbrio e a falta de uma marcha idêntica a de uma pessoa “normal”. É espástica porque há espasmo – reações involuntárias do sistema nervoso – que contrai ainda mais os músculos do paciente, deixando difícil para ele obter uma coordenação satisfatória do próprio movimento.

L: Qual a causa dessa paralisia?

B: No meu caso, foi prematuridade  (nasci de seis meses). Minha mãe teve uma infecção urinária e eu tive que ser tirada da barriga dela antes do tempo. Os bebês de seis meses não têm pulmões maduros, ou seja, há dificuldade em respirar – por isso, fiquei um minuto sem respirar; precisava o mais rápido possível de uma transfusão sanguínea, mas a equipe médica foi lenta nesse aspecto e causou a lesão cerebral.

L: Rancor?

B: Quando pequena,  eu ficava bem mal – mesmo porque, criança gosta de correr, de brincar e eu não podia. Era obrigada a ficar sentada, observando e isso é triste. Mas – hoje – agradeço, porque é por causa disso que sou quem sou. 🙂

L: Como isso afeta o seu emocional, psicológico e vida prática?

B: Bom, vamos começar pela vida prática, que é o mais perto da realidade: ainda preciso que alguém me dê uma “mãozinha” ou de uma muleta, porque estou em fase de transição (ela faz uma fisioterapia lascada, se é que posso escrever assim num texto como esse). O piso de casa não é e nem pode ser escorregadio; também não tem escada, há adaptações no banheiro (tomo banho sentada, por exemplo) e não faço esportes. No psicológico e emocional, você acaba tendo que pensar muito antes de fazer qualquer movimento, então se eu vou buscar um lanche na cantina e estou de muletas, tenho que colocar a bolsa mais pra trás – pra não atrapalhar – levantar, chegar na cantina, encostar a muleta, pegar o dinheiro, pegaro lanche, guardar o lanche na bolsa, colocar as muletas e voltar. Isso acaba por dar a impressõa de limitação e uma falsa sensação de ser incapaz – quando você não é. E tudo isso se transforma em emoção e sentimento (solidão, baixa auto-estima) caso você não possa detectar e tenha força, coragem e vontade de mudar a história.

L: Quer uma mordida do meu croissant?

B: Não, obrigada.

L: Isso afeta ou afetou a sua auto-estima? Como?

B: Afetou muito. Principalmente na transição da infância para a adolescência, por volta dos treze anos – que é quando penso estarmos mais vulneráveis. Eu me sentia solitária, achava que não podia frequentar os mesmos lugares que os outros, que ninguém me gostaria romanticamente, uma insegurança muito grande e que essa minha época etária não era para ser lembrada com alegria, o que me fez enfiar o pé na jaca muitaz vezez (risos). No sentido de deixar de me respeitar, colocava as outras pessoas num patamar superior e não me assumia. Mas, agora – graças à Deus – consegui reestabelecer boa parte da minha auto-estima. Acho que o processo de queda foi muito construtivo.

L: Quais as maiores dificuldades/desvantagens?

B: Não ter segurança com o próprio corpo e não poder ficar tanto tempo em pé prestando atenção a outra coisa. Só que isso é uma preocupação só minha, por exemplo: se você tem comida todos os dias, não vai se preocupar se está com fome, porque você sabe que vai ter comida quando chegar em casa; mas se você for alguém que passa fome, vai se preocupar. Comigo é a mesma coisa: as outras pessoas não têm que se preocupar com os movimentos que vão fazer, porque é muito natural – para mim não é assim, tão mecânico. Por causa disso, construí uma alma muito alegre e espirituosa, porque quando há uma pessoa que não te conhece, naturalmente, ela tira uma primeira impressão falsa e preciptada e eu me sinto na obrigação de diluí-la, revertê-la com papos e ideias; o que é o contrário com os outros: uma menina menina, vamos supor, é atraente em aparência, mas pode estagar tudo quando abre a boca.

L: Dá um gole do seu juninho?

B: Pode pegar.

L: Quais as maiores facilidades/vantagens?

B: Poder ver o mundo de um jeito único. Ser obrigada a buscar outras coisas (espiritualidade, grande empatia)…

Ana: Ai, para de falar difícil!

B: (risos)

L: Não é ela que fala difícil, você que não sabe falar. (risos)

A: É, acho que é isso mesmo.

L: Então…

B: Bom, você acaba deixando a sua marca, não passa despercebido e ganha muitas mordomias! (risos)

L: Como você acha que as pessoas te vêm?

B: Ninguém nunca passa uma única imagem. Eu acho que tem gente que me vê como batalhadora,  inteligente, interessada, alegre, espirituosa. Há quem veja defeitos existentes (teimosia, intromissão) e outros que pensem coisas equivocadas, o que pode acontecer com todos.

L: E como você queria que elas vissem?

B: A primeira opção da resposta anterior, é claro! (risos)

L: Anteriormente, nós conversamos um pouco sobre a questão da sensualidade e da sexualidade da mulher deficiente: qual o seu ponto de vista sobre isso?

B: (risos e piscadela ;)) Essa é uma das questões mais delicadas! Para qualquer menina e, para as deficientes (pelo menos para mim) se torna ainda mais. Eu acho que, de certa forma, é quase que natural do ser humano – ao visualizar um deficiente – associar à ideia de assexualidade, como se a pessoa não pudesse ser atraente, principalmente pela tendência da mídia de vangloriar os corpos perfeitos. Mas, cabe a  nós mesmas não cair na lábia desse povo sem noção (risos). Eu já me senti bastante desinteressante muitas vezes, e ainda me sinto. Mas faço o possível para reverter a situação. Uma coisa que não abro mão é da hidratação semanal dos cabelos. É um tempo que tenho para mim. Modéstia à parte, [tirando a paralisia] não tenho o que reclamar do meu corpo, estou satisfeita. Mas ainda é complicado tirar conclusões profundas a respeito da sexualidade, porque nunca namorei. Daqui a um tempo, quando encontrar uma pessoa corajosa o bastante para entrar nessa parada (porque, concordem comigo, é preciso ser corajoso, vá?!), poderei falar melhor sobre o assunto.

L: Como isso te fez crescer na vida?

B:  Me fez buscar tudo o que eu não tinha. Foi uma chance que eu tive para crescer. Não só os deficientes, mas creio que todas as minorias recebem uma possibilidade a mais para se tornarem melhores. Não que eu queira ser deficiente – ninguém quer – mas isso me colocou mais perto de Deus e eu agradeço.

L: Você hoje faz coisas que nunca pensou que conseguiria fazer? Quais?

 

B: Sim. No NR, por exemplo, eu achei que não iria curtir como os outros, fiquei insegura e tudo o mais. Mas acabou que eu pulei quase até o final da micareta, fui uma das primeiras da fila (na micareta), fiquei até o fim de quase todas as festas – apesar de ficar cansada por um tempo – andei a cavalo, de pedalinhos… Me surpreendeu! Nunca achei que seria tão bom!

L: Há coisas que você gostaria de fazer e não opde, em função da paralisia? Quais?

B: Tem muita coisa. Eu sempre quis fazer aula de dança, porque a dança me seduziu, sabe? Quando eu era pequena, dizia que queria ser dançarina ou trabalhar no circo. Também tem o teatro, que – mesmo que eu atue – nunca sai do jeito que eu gostaria. E tem o esporte, mas não sou muito ligada nisso.

L: Qual a sua visão do mundo?

B: Muito complicada essa, hein? (risos) Ah, o mundo é maravilhoso! Reconheço que está seriamente deturpado, não tem como negar, mas acho a criaçlão maravilhosa! Creio o objetivo dela fosse ter a Terra como paraíso, onde todo mundo seria feliz. Agradeço todos os dias por estar aqui.

L: O que você espera do mundo?

B: Espero que o mundo perceba o quanto ele se engana com certas posturas. Li isso e acredito piamente que a origem do mal vem do desejo de independência do homem de Deus. Espero que ele possa retornar à Ele e alcalçar a felicidade plena, ainda que isso demore gerações e gerações e gerações.

L: Um recadinho para as pessoas em condições iguais, semelhantes e/ou totalmente diferentes?

B: Começando pelas condições iguais: por favor, me procurem no orkut ou no msn (fofa_babi@hotmail.com). Sempre é muito construtivo conversar com quem está na mesma situação que você, literalmente; eu cresço com isso e ajudo a outra pessoa a crescer. Sobre as situações semelhantes, não cometam o meu maior erro: o de não aceitar a si próprio exatamente como se é, se diminuir, se subestimar. Isso faz com que a gente fuja da nossa essência e acabe perdendo aquele que é o nosso melhor amigo e sempre vai ser: nós mesmos. Até hoje, é minha maior dor. Quanto às situações totalmente diferentes, aconselho que vocês tentem encontrar, em pelo menos uma palavra que eu disse, algo que possa-lhes ser útil. É incrível mas, se você pensar bem, todos passamos por [basicamente] os mesmos dilemas. Observação superimportante: de certa forma, tudo o que eu falei parece clichê. Já li muitas coisas parecidas com tudo isso e senti até mesmo raiva, porque me parecia apenas um discurso vazio ditando o que eu deveria fazer e acreditar. Não queria que a conversa tomasse esse rumo, mas parece inevitável, hoje entendo! (risos)

Pra ser sincera, tinha mais uma pergunta – só pra fazer propaganda do blog (porque eu não sou nem um pouco cara-de-pau… Eu devia é lustrar a cara com Peroba. G_G) – mas isso já está grande demais. Bom, sejam bem vindos à maior edição especial desse blog [por enquanto]. O pior é: marquei tudo isso no meu caderno. E lá se foi o meu caderno de sociologia…

Beijinhos,

Letii

P.s.: aah, mas a Bárbara é linda, né? Olha o sorriso dela, gente! Me apaixono por ela cada vez que dou uma fuçada no orkut! Mas, o que em encanta mais, não é essa beleza, é a pureza, a felicidade, a esperança e o sonho do sorriso e do olhar… É como se ela decidisse sair da realidade e viver a fantasia que todo mundo quer. Como se corresse desesperadamnte por um caminho. Ela está sem fôlego. ela está cansada. Mas tem que correr, para chegar ao seu destino, seu objetivo. Todavia, resolve dar uma parada, curtir a vida, beber um copo d’água e tomar fôlego. Porque ela sabe que amanhã vai ser igual ao momento anterior. (Observa bem a foto da festa de quinze anos – a primeira que aparece)

Os perseverantes

“Todos os dias são maravilhosos,
e, de repente, fica difícil respirar.
Agora e depois, fico insegura da dor.
Estou tão envergonhada.”

Beautiful, Christina Aguilera

Sem querer me vitimizar mas, desde pequena, me excluíram. A diferença era que, aos sete anos, os outros até que me acolhiam: davam risadas comigo, me convidavam para as coisas. Nós éramos mais juntos, tal que só me dei conta da passada exclusão nove anos depois. Hoje – quase aos dezesseis – sinto muito mais essa “deixada de lado”. Tudo bem, não sou superexcluída, mas dá para sentir. Sou estranha, sou vampira, sou emo, sou de tudo e isso, com certeza, não é legal. Imaginem que, por toda a sua infância, vocês tiveram amigos e brincaram com a classe inteira e – de repente – se vêm num lugar cheio de gente, mas apenas três que se interessam por vocês; onde vocês são taxados de esquisitos e ninguém é parecido com você. Num súbito, não dá mais para saber o que fazer ou como agir, nem prever a reação média da população escolar com a qual se há convivência. Não se sabe agradar as próximo, porque – qualquer coisa feita que fugir aos padrões ou valores comuns – será zombada e nenhum grande ou pequeno esforço exercido para a realização daquilo será reconhecido com mérito. É um soco no estômago. Apesar de ser muito clichê e eu não gostar do Nick Jonas, “Eu quero alguém que me ame por quem eu sou. Eu quero alguém que precise de mim, isso é tão ruim?” é a mais pura verdade. Vocês sabem muito bem que detesto clichês, contudo – é como disse Bárbara – os clichês são cliches porque são verdade. Eu quero, de verdade, alguém que me ame e precise por quem eu sou. Por gostar de ler imensos livros e repugnar Crepúsculo, por ouvir Evanescence e My Chemical Romance, por idolatrar Sweeney Todd e falar línguas estrangeiras. Porque, quando isso não há, é como se você fosse uma vergonha, uma aberração para a sociedade. Quero que lembrem-se que – pelo amor de Deus – antes de tudo, sou humana. E, nesta frágil condição e não se importando muito com a opinião alheia, o que dizem que afeta, sim. Eles queriam o quê? Que eu ficasse feliz da vida ouvindo me chamarem do que me chamam? Falta respeito. Falta consideração. Falta empatia. Para falar a verdade, não queria que fosse esse um post triste. Queria terminar dizendo “Somos a canção dentro da melodia cheia de bonitos erros.”, Beatiful, Christina Aguilera. Nós somos. Os que são quem são apenas pela criação e maturidade adquirida. Os empáticos e educados. Os bons que queriam amigos. Que queriam mais de um trio interessado e mais respeito, porque nunca deram razão para o tratamento recebido. Aliás, os que não entendem o porquê de não serem gostados. E apesar de termos a quase certeza de que nada mudará – mesmo com posts, músicas, discussões e outras tentativas – ainda tentamos. E ainda que não pareça, somos muitos! Talvez um povoado, até uma população! Um bando de gente escalando um mesmo alpe, em busca do topo, da aceitação e entendimento de ações [supostamente] passadas. Somos nós, meus caros. Os que nunca desistem. Os alpinistas. Os em grande número. A população de perseverantes escaladores.

Valeu, Ana.

Eu percebi que não era só uma amizade e nem a amizade. Aquilo era amor. Estávamos voltando de viagem e eu, morrendo de sono. Ela me disse pra deitar no colo dela e fiquei generosos minutos, lá. Quando o veículo freava, ela me segurava com as pontas dos dedos e – assim que ele voltasse a acelerar – me folgava novamente. Senti-me protegida e amada. Senti-me aquecida pelos braços enrustidos em blusa que me passavam ao redor. Quase chorei. Sorri. Não consegui dormir durante todo o percurso e creio ter uma explanação para isso: deve ter sido a felicidade da sensação. Confesso que emergiu-me até um pouco de culpa, por pensar que nunca a amei como ela faz e cometer tantos declínios em nossa duradoura vida amistosa. Mas aquilo era como amor de mãe. Não importa o que eu faça, ela sempre vai me gostar e eu, dela. Não importam meus escorregões, porque – a cada um – ela me segura com mais força. E não importa que eu durma por generosos minutos no colo dela, porque ela vai continuar ouvindo sua música e prestando atenção nas freadas e aceleradas. Porque ela me ama. Valeu, Ana. :’)

Talvez de baunilha, talvez de canela

Decidi: não sou católica. Sou cristã, mas não católica. Não sei se já lhe aconteceu, todavia vou tentar: sabe quando você se sente distante de Deus? Pois bem, eu acredito em Cristo e no Pai mas – até o último mês – estava batendo muito de frente com a religião católica. Achava contraditório, ridículo e fútil esse ou aquele ponto de vista. pesquisei sobre bruxaria, espiritismo, Wicca e quase fui à uma igreja mórmon. Foi uma tremenda confusão! Até que tive um resultado: decidi: não sou católica. Sou cristã, mas não católica. O que sou, então? Sou pedaço de carne saturado em fantasia e sentimento, recheada em escrita, artes cênicas e música, temperada numa pitada de razão. Uma peça de carne que crê em Cristo e no Pai. Que crê em Deus como uma essência presente em tudo e todos. E que crê que tal essência (talvez de baunilha, talvez de canela) lhe passa lições vivazes por meio de experiências, conclusões e imaginação. Um pedacinho de carne saturado em fantasia e sentimento, recheada em escrita, artes cênicas e música, temperada numa pitada de razão e coberta de essência, talvez de baunilha, talvez de canela.

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