A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

Arquivo para o mês “fevereiro, 2010”

Feito uma boiada

Eu voltava do escoteiro, estava no carro com a minha mãe. O rádio estava ligado, eu não prestava muita atenção. Mas, de repente, tocou uma música do Renato Russo – não sei o nome –  que me fez vigiar as palavras que saiam das caixas de som. Logo em seguida, veio uma música que me prendeu às suas notas. Procurei pela internet, perguntei pra Rê (meu guia de canções nacionais) e não achei o artista ou o título… Eu queria escrever o post ouvindo-a, mas agora estou ao som de Monster, da GaGa. -.-‘ De qualquer forma, a música passava uma mensagem muito bonita, sabe? Dizia sobre dois estranhos que trilhavam caminhos diferentes e se encontravam num ponto do trajeto. Um deles perguntava para o outro se ele tinha planos. Por sua vez, o andarilho respondia que tinha vários e que, se o colega quisesse, podia acompanhá-lo para ouvi-los no caminho. E os dois iam, juntos, por um mesmo feixe de terra. Até a hora que aquele que estava a contar os planos questiona: “mas eu ainda queria te perguntar: você não quer carregar a minha bagagem? Talvez eu tenha alguma coisa para te dar…”. Depois ele ofecereu a própria bagagem e é isso aí. A gente tem que cruzar, sim, os nossos caminhos. A gente tem que carregar, sim, a bagagem dos outros. Porque assim, mesmo que temporário, carregamos novas peças de roupas, novos objetos de valor pessoal, talvez algumas joias, livros, fotos, um passado diferente, um futuro influenciado. Precisamos disso em nossas vidas porque é, simplesmente, impossível viver sozinho. Não vou dizer quem, mas eu ando aconselhando uma pessoa que tem os problemas dela e tal. Acontece que é muito difícil de colocar alguma coisa na cabeça dessa pessoa. Ela é muito teimosa, acha que a vida está melhor assim, que remexê-la seria bobeira. Mas não é! Como diria o Tamaki: nós temos que estar aberto à novas experiências. Vamos lá! Carregue a mala do próximo! Afinal, você já não tem que carregar a sua? Já não tem que carregar alguma coisa de qualquer jeito? Pois bem! De repente o outro nem carrega tanta coisa! De repente ele carrega bastantes, mas estas são leves. Ou elas podem ser pesadas e te fazerem suar e cansar muito, mas, no final, valerá à pena. No final, o próximo te agradecerá de alguma forma. Ele carregará a sua bagagem. É fácil levar a vida. É fácil lidar com as coisas. Basta que você aprenda como. Lembre-se: você em primeiro lugar, querido. Ninguém nem nada é mais importante que você porque, se você não se der a devida atenção, ninguém vai dar. Não porque o mundo é ruim ou porque as pessoas são egoístas: porque cada um tem seus problemas e sua vida pra cuidar. Que colega te liga no meio do horário de serviço só pra perguntar se você está bem? A não ser que você teha um superamigo ou seja um caso especial, ninguém vai ligar. Se isso acontecer, tudo ficará muito mais fácil. Senão, por mais que você queira fazer as pessoas felizes, se você não estiver, a sua vida vai ser um droga! Vai parecer que nada do que você faz dá certo, você vai se arrepender de tudo, vai chorar, vai se lamentar, vai reclamar e o mundo inteiro te passará por cima feito uma boiada. Aí, sabe o que acontece depois? Você continua lá, parado, com tudo dando errado, se arrependendo de tudo, chorando, se lamentando e reclamando.

Toda a diferença

Como chorar é libertador, não? Há uns três dias, eu terminei de ler a série em mangás Full Moon O Sagashite, de Arina Tanemura. Era de noite, todo mundo já estava dormindo, exceto eu. Senti que não devia dormir, ouvir música, mexer computador ou ver tevê. Eu tinha que ler Full Moon. Faltavam três volumes para terminar a série e eu chorei em cada um deles. Pra falar a verdade, li tudo isso há três dias e há três dias estou chorando por isso. São músicas, momentos, amigos que me lembram o final da história e fazem brotar as lágrimas. Sabe que não gosto de enxugá-las? Adoro senti-las escorrerem livremente pelas maçãs do rosto, porque elas representam algo. Elas são sentimentos verdadeiros. Se as passo as mãos, parece que escondo as emoções, que não sou eu, que não vivo de verdade. E quando choro por um mangá, uma música ou um filme é porque eu consegui pegar o que aquilo quis me passar. Quando choro pela Mitsuki e pelo Eichi, ou pela Meroko, o Takuto e o Izumi é porque eu sinto eles. Tenho a intensa sensação de que, desde o fim do mangá, eles vêm me acompanhando e eu sei que eles estão me protegendo. Teve uma vez que eu estava em crise: chorava demais, demais, demais. Eu estava na minha tia, deitada na cama, derramando lágrimas escondida. Meus pais entraram, minha irmã já dormia. Ficamos todos no mesmo quarto e eles fecharam a porta e apagaram as luzes. Nunca gostei de ficar no escuro, não por medo: por desconforto. Mas, de repente, me veio uma sensação de alívio, de proteção, de que eu deitava no colo de alguém e esse alguém me passava a mão na cabeça. Eu sempre soube que eram eles e o fim do mangá só confirmou tudo isso. Eles eram tão intensos, sabe? A Mitsuki tão pura, o Takuto tão fofo, a Meroko me lembrando as minhas fases de amor não-correspondido e o Izumi me ajudando a entrar mais ainda no espírito da Kate. E o Eichi me fazendo chorar… Aliás, todos eles. Estou chorando, agora. E sei que chorarei pelo resto da vida, recordando-me de toda essa lição de vida: dessa vida que eu quero pra mim! EU QUERO VIVER INTENSAMENTE, EU QUERO TER HISTÓRIAS PARA CONTAR, EU QUERO TER RAZÕES PARA SORRIR E PARA CHORAR. Obrigada à vocês por tudo isso, muito de verdade. Me lembro das imagens, das frases, da intensidade de sentimentos, das histórias, dos resultados, das verdades, das mentiras, das verdades que queríamos que não fossem. Me lembro de tudo isso. E o melhor: descobri que tenho tudo isso: estava deitada com o Flávio no chão do quintal, estávamos nos acalmando depois de tantas cócegas. Olhávamos para o céu e, mesmo estando nublado, achei-o lindo. Vi que ele estava ali, do meu lado, me fazendo carinho, me gostando, me amando, sorrindo comigo e para mim. Comecei a chorar ao perceber que o que eu desejei no post anterior, na verdade, eu já tinha. Comecei a chorar. Fiquei tão aliviada… Me tirou o peso da consciência e de todo o corpo, fiquei super feliz, descobri que minha vida sempre fora perfeita do jeito que sonhei – pensando que fosse muito difícil viver assim – há um dia atrás. Me libertei, senti-me voando pelas nuvens, uma princesa num conto-de-fadas, uma protagonista de filme romântico, senti-me a Mitsuki. Ela, em especial, por ser a principal. Realmente, chorar faz toda a diferença. 😉

Beijinhos,

Letii

De manhã

O que eu quero do amor? Eu quero aventura. Quero ficar nervosa, esfregar as mãos, mexer no cabelo, arrumar a roupa, sentir o coração disparar, enrubescer. É esse tipo de aventura que eu quero. Quero ter motivos para me achar meiga, eu quero ver que o amor esta ali, à flor-da-pele! Eu adoro meu namorado, o amo do fundo do coração! Mas eu quero deixra umpouco de lado a carne, sabe? Quero ir ao cinemas e assistir ao filme; quero ir a um churrasco e ficar onde está todo mundo. Quero ir jogar boliche, jogos de tabuleiro, sei lá, sentar pra assistir tevê! Não estou reclamando, estou expondo a minha vontade. poxa, eu quero ter histórias para contar! Quero chorar de amor, quero um abraço gostoso! Eu quero tomar sorvete na praça! Vamos dividir um milk shake? Nossa, que saudade eu estava! Meu amor, estou te apertando muito forte? Você é linda, meiga, gentil! Ah, você que é muito doce! Não vou mais falar “eu te amo” ao telefone por que já virou rotina: quero que todas as vezes sejam um desespero, algo que a gente sente que tem que sair! Quero ter uma história que chegue o mais próximo da perfeição! por favor, preciso de, ao menos, um sonho que se realize! Preciso acordar, esfregar os olhos e ver ali, na minha frente, toda a fantasia personificada! Mas, para isso, eu preciso de você. E então? Você despertaria comigo de manhã?

De onde vem a calma

A ordem natural das coisas implica em morrer no auge da própria monarquia. Eu tenho um primo que morreu de câncer no pulmão. Já faz tempo e, apesar de ser pequena na época, eu me lembro dele. Na verdade, tenho duas lembranças: um churrasco e minha mãe chorando logo depois de desligar o telefone. A família o estava visitando no hospital, quando seu pai e seu irmão foram embora e disseram: “Tchau, Dan. Amanhã, a gente vem te ver.”. Assim que a porta fechou, meu primo olhou para a mãe e comentou: “Ih, mãe. O pai não vai chegar a tempo.”. Ele sabia e talvez quisesse preparar a mãe. Ele viu os amigos no churrasco antes de ir embora. Ele me abraçou, me levantou no alto. Ah, como eu gostava dele. Ah, como esse assunto me faz chorar. Ah, e como esse assunto faz encher de lágrimas os olhos de sua mãe quando vê fotos… Com certeza, ela chora muito mais que eu.

Tenho outra história, mas não vou citar nomes nem nada, por questão de pura privacidade. Havia uma menina, uma jovem. Ela também tinha câncer. Uma vez, ela cochilou e – quando acordou – disse à sua mãe como era belo o lugar que ela foi! Se não me engano, adormeceu novamente mas, dessa vez, acordou e não disse nada: colocou a mão sobre a máscara que a ajudava a respirar. “Mãe, o que é isso?”. Sua mãe lhe explicou que aquilo a ajudava, mas a menina não quis saber. “Mas eu não preciso mais disso! Mãe, o lugar que eu fui é tão bonito! É tão melhor que aqui! Lá, eu não preciso disso aqui!”. “Mãe”, ela continuava, “chama o tio, por favor. Fala que eu quero que ele passe mais umas duas oras comigo. Por favor, chama! Eu juro que nunca mais roubo o tempo dele!”. O “tio” – que, na verdade, era o médico – foi lá, ficou com ela e duas horas depois, ela morreu.

Entenderam o que eu quis dizer? O auge da própria monarquia. Descobriram? Pois esse “auge” é uma alegria. Meu primo viu os amigos, viu a família, preparou a mãe. A outra menina passou o exato tempo que desejou com o médico. Por menor que seja a alegria, será uma alegria. por mais curta que seja um reinado, será um reinado. Quiçá a vida queira nos agradecer por aguentá-la por todo esse tempo, por tudo o que fizemos, pelas pessoas que influenciamos. Talvez não haja nada depois da morte e esse é o nosso presente. O nosso último suspiro será repleto de alegria. Será que as pessoas pressentem a própria morte? É, acho que não tenho mesmo medo de morrer. Pode ser que eu fique um pouco assustada e, muito provavelmente, vou me preocupar com quem não estiver indo junto. Mas eu estarei feliz. Então, muito obrigada, Vida. Muito obrigada por agir assim mesmo sabendo que cometemos tantos erros. Muito obrigada por ser igual à todos, afinal “eu não vou mudar, não… Eu vou ficar, sim… Mesmo se for só, não vou ceder. Deus vai dar aval, sim… O mal vai ter fim… E, no final – assim calado – eu sei que vou ser coroado rei de mim!”, De onde vem a calma, Los Hermanos.

Pombos

Pra falar a verdade, eu sempre me reprimi um pouco. Já disse isso mas, apesar de ser bastante desencanada, sempre deixei de me arriscar o quanto queria por causa dos outros. Pois não o farei mais e, aliás, já tinha decidido isso no começo do ano. Dei alguns escorregões, mas agora é pra ter certeza: eu vou ser quem sou. E sabem porquê? Porque nem vocês ninguém podem me criticar por dançar em público, ler mangá, gostar de literatura e biologia ou sair cantando em público! Pois eu tenho coragem, ok? E vontade também! Se vocês não querem, não façam igual: não há problema nisso. Mas há muita gente por aí falando de mim enquanto não faz o mesmo por vergonha e medo da rejeição. Eu sou rejeitada. Sou, mesmo. No colégio inteiro tenho três amigas (o número cresceu esse ano. 😀), um monte de aluno tirando uma com a minha cara e me enchendo a paciência. Mas isso não me importa mais. Não, mesmo. Fodam-se, esses cretinos robóticos – pra expressar muito bem a minha opinião –  o problema é de vocês se não sabem tomar decisões desse calão, só não tentem me fazer mudar de ideia! Eu canto em público, danço no meio da rua, converso sozinha no chuveiro, tenho uma risada aguda pra caramba, estou esperando pelo show do My Chemical Romance, leio quadrinhos americanos super violentos, quero um óculos sem lentes, adoro coisas japonesas, amo as aulas de literatura e biologia, brigo com meus pais, brigo com a minha irmã, faço as pazes, sou extremamente chorona, tenho muita tpm, cheguei a acreditar que bactérias eram diabéticas, joguei ovos da janela do prédio, converso com gibis japoneses, invento histórias, só beijei um menino até hoje (aliás, eu namoro com ele) e vou continuar assim! E podem me taxar do que quiserem, porque eu não sou o que vocês pensam que sou: eu sou dourada. Que o mundo seja bom ou cruel, pois eu vivo de brilho, ok? E enquanto vocês talvez cheguem à um potinho de glitter, eu já sou um ídolo asteca. Daqui há alguns anos, eu vou estar sentada numa praça sem pombos para comerem os miolos atirados ao chão. Os pombos estarão todos à volta de vocês. Mas não se vangloriem: eles não chegarão perto por causa do brilho intenso demais para seus frágeis olhinhosm do ar e estarão tão perto de vocês por confundirem o que sobrou do glitter.

P.s.1: Ok, não ia postar mas, essas músicas me inspiram tanto! *olha para o alto com cara de filósofa*
P.s.2: We are golden – Mika

Aviso

Oi, gente! Bom, já vou avisando que estarei meio ocupadas nos próximos dias, então, terei que parar por um tempinho. :/ Não se preocupem, não será tanto tempo assim – acredito que nem uma semana. Enquanto isso, porque não vão dando uma olhada em posts antigos, na Casa de Theo, no Bahh…zyUnhas fracasDr. Pepper e/ou Cyanide & Happiness? Tem coisas bacanas por lá! 😀

Beijinhos,

Letii

Zoo

Que tal histórias de bichinhos, hoje? Ok, só não esperem Marleys ou Bethovens, hoje. Bom, uma amiga da minha mãe passou o carnaval aqui e o marido dela tem uma fazenda. Aí, ela ficou contando umas histórias de lá. Ela contou que eles tiveram um monte de bichos. A primeira coisa que ela contou foi sobre as siriemas. As siriemas eram duas: Jaqueline e Cristiane. A Jaque e a Cris foram acostumadas a viver junto às pessoas, então elas não tinham medo e queriam até te cumprimentar. Pois bem, chegamos ao dia em que o cara do ar condicionado foi arrumar o aparelho. Ele tirou o painel – ou algo assim – colocou-o no chão e, dentro do painel, colocou uns quatro parafusos (para não perder). Depois de um tempo, ele se virou para pegar de volta os parafusos e, adivinhem só? Ele não os encontrou. 😀 Eu imagino o desespero que no qual o cara deve ter entrado. Bom, de qualquer forma, ele chamou a amiga da minha mãe e explicou que tinha colocado os parafusos lá, mas eles não estavam mais lá. A amiga da mamãe percebeu o que havia acontecido e respondeu: “Ah, deve ter sido a Jaqueline.”. (Pra quem não sabe, siriemas, emas, avestruzes, etc, não tem moela. A moela – pra quem também não sabe – é uma partezinha do corpo das aves que ajuda a moer a comida. Sendo assim, os bichos anteriormente citados, comem coisas sólidas para que essas se misturem à comida e ajudem a moê-la. Quando são coisas brilhantes – como parafusos – obviamente chamam mais a atenção). Continuando a história, ela disse que devia ter sido a Jaqueline. O coitado do cara do ar condicionado não entendeu nada e perguntou quem era a tal da Jaqueline. Só que, nessa hora, a coisa da Jaqueline tava atrás dos dois e ninguém a tinha visto chegar. Foi, então, que ela os quis cumprimentar: UÉÉÉÉÉÉU! O cara do ar deu um pulo… Mas um pulo… Nossa, deve ter se demitido depois dessa. -.-‘

Ok, vamos à outra história. Apresento à vocês Tuca, o tucano. (ooooooooh! :O) O Tuca dormia, todas as noites, em cima de algum poste. Até o dia em que ele deciciu que a bicicleta da filha da amiga da mamãe era um poste melhor. O tucano amanheceu inteiro, mas o banquinho da bike, não. >< Ah, o Tuca gostava de andar no ombro das pessoas, sabe? Se ele tivesse no seu ombro e oferecece mamão à ele, tinha que ser descascado e sem caroço. Mas se ele estivesse na mesa, no chão ou em qualquer outro lugar, podia ser com casca e tudo. 😉 E tudo foi muito bem, até o dia em que ele se enfiou no caminhão e fugiu com o entregador de gás. ô_o

A próxima história é sobre um casal: Pirulito e Pirulita, o casal ternura de perus. A Pirulita era bem sossegada, mas o Pirulito se deu ao trabalho de aprender qual era o quarto da amiga da minha mãe pra fazer cocô na porta todo dia de manhã. -.-‘ Ah, sim. Ele também esperava ela pra ficar correndo atrás e deixá-la fula da vida. Aí, ela começou a sair com o rodo nas mãos. Até que ela se irritou muito, muito, MUITO e começou a gritar: “PARA, PIRULITO! CHEGA DE CORRER ATRÁS DE MIM! EU NÃO AGUENTO MAAAAIS!”. Aí ele parou de correr atrás. Mas continuou fazendo cocô. -.-‘

Bom, por hoje, é só. Espero que tenham gostado. Disso tudo só posso, mesmo, tirar uma conclusão: eu nunca seria dona de um zoológico.

Beijinhos,

Letii

Argh, benedita.

Se tem uma coisa que eu A-DO-RO são calcinhas estampadas. Eu tenho de coraçõezinhos roxos, florzinhas rosas, florzinhas roxas, tulipas vermelhas, tulipas rosas, florzinhas coloridas, estrelinhas verdes, oncinha, cobra, xadrez e por aí vai. Pois, bem: uma vez, eu fui com a minha mãe ao supermerecado e nós encontramos uma banca só de calcinhas desse tipo. Nem preciso dizer que eu enlouqueci. Fomos eu e minha mãe escolher calcinhas novas. Logo que chegamos, começamos a analisar as calcinhas da camada superiora da montanha de roupas íntimas. Foi, então, que eu achei uma calcinha com flores-de-lis – para quem não sabe, a flor-de-lis é um símbolo escoteiro e eu sou escoteira. Fui toda animada mostrar a calcinha para a mamãe e ela me perguntou o tamanho da calcinha. O tamanho era P. ¬¬° Cá entre nós, as minhas calcinhas são GG. Não que eu seja gorda, mas eu sou larga, entendem? Pois é, os fabricantes de calcinhas com flores-de-lis, não. Começou, então, a minha busca desesperada pela calcinha escoteira no tamanho certo. E joga calcinha pra lá, e joga calcinha pra cá, cavoca aqui, cavoca ali, procura em cima, procura em baixo, de um lado, do outro e cadê a bendita calcinha?! (ou, como diria a minha irmã em seus três anos de idade: “Cadê a minha benedita calcinha?!”). Ok, desisti da calcinha escoteira. Mas, logo depois, vi uma branca de bolinhas roxas. G_G O problema era: o tamanho era M. Gente, como eu cavei aquele monte de roupas de baixo! Sério, eu – praticamente – fiz um piso subsolo naquilo lá, não sei como não desmoronou. ô_o Tá, acabou que eu também não achei as bolinhas roxas GG. Eu estava quase indo embora, quando avistei mais bolinhas: era uma calcinha branca de bolinhas pretas. *o* Mas essa maldita calcinha linda era tamanho PP. Deus do céu, é tão difícil fazer calcinhas lindíssimas no tamanho GG?!?! Bom, acabou que minha mãe perdeu a paciência de ficar me esperando na minha busca pela calcinha GG e disse que ía embora. Eu respondi que já ía e, logo que olhei para o lado, percebi que ela realmente tinha ido embora. Aí só saio eu com umas calcinhas escolhidas na mão andando rápido pelo supermercado em busca da minha mãe. Argh, beneditas calcinhas.

Beijinhos,

Letii

Queridos ignorantes

No começo das aulas, eu tive a oportunidade de falar em público sobre um assunto que refletia um pouco o texto Vamos lá?, daqui do blog mesmo. Falei para o colegial inteiro, que me aplaudiu e me fez muito feliz! 😀 Mas ontem aconteceu uma coisa. Eu estava com a Bárbara e passou um menino do terceiro colegial, olhou para mim e disse: “Vai tirar a máscara?” com cara de deboche. Dei um sorrisinho amarelo e fechei a cara. A Bá olhou pra mim, deu um sorriso e disse:

Nossa, Lê! Que legal!

Bá, ele tava tirando uma com a minha cara. – Eu respondi, pensando que ela havia achado que fora algo positivo.

Eu sei!

… Ahn? Então porque é legal?!

Ela enrolou um pouco, não conseguiu se explicar direito, me confundiu um pouco mais. Até que ouvi (da mesma amiga) uma frase de Shakespeare, que dizia que quando as pessoas não entendem a piada, elas riem. Ela me explicou, então, que é assim que os ignorantes agem frente à algo legal, algo interessante, algo que eles não entendem. E sabem que é verdade? É como numa das últimas aulas de sociologia: eu estava falando sobre o padrão ideológico e coloquei um trecho da música The fear, da Lily Allen. O pessoal da classe olhou e disse: “Aaaaaaaf.”. E é isso, mesmo. É como naquela música do Legião: “Já não me preocupo se eu não sei por quê, às vezes, o que eu vejo quase ninguém vê.”. Porque o que eu vejo é uma menina com amigos de verdade, que sabe aproveitar a vida nos limites. Não sou estranha. Não sou esquisita. Não faço questão de ser diferente: faço questão de não ser igual à vocês. Como eu disse, é isso: eles não entendem, não querem entender e o problema é todo deles, porque amanha eu terei uma faculdade, um emprego, um sustento. Aliás, eu tenho futuro. Então, muito obrigada por me tornarem excluída, estranha, emo, gótica, vampira, boba, aaaaaaaaaf. Vocês não têm ideia do que isso significa pra mim, queridos ignorantes. 😉

A minha câmera digital

Eu tenho uma câmera digital. Tanto tenho que você pode ver a foto na lateral direita da sua tela. Eu tenho uma câmera digital que me satisfaz perfeitamente quando quero tirar fotos. Eu também tenho um dvd. Eu tenho um dvd que dá umas travadinhas, mas que me mata a curiosidade sobre vários filmes. Ah, não posso me esquecer do tão usado celular: tira fotos, toca música (nem uso mais o mp3, que aliás, também tenho), envia mensagens, entra na internet e, olha só: faz ligações! O que mais eu tenho? Puxa vida, como pude me esquecer?! Eu tenho um computador! Pelo qual me é proporcionado posts aqui, no blog! Eu tenho o novo. Sabem o que mais eu tenho? Eu tenho saudade. Eu tenho saudade do giz de cera, que tinha o cheiro próprio e aquelas sujeirinhas pretas grudadas; tenho saudade de gostar de limpar o giz de cera com a tesoura. Eu tenho saudade de brincar de massinha nos tempos de escola (que a gente misturava tyodas numa só e sempre resultava numa massinha cinza escura e com fios de cabelo). Eu tenho saudade do desenho livre de verdade, no qual não copiávamos a imagem de lugar algum. Eu tenho saudade da fita cassete e do cuidado com o qual tínhamos que tirá-la do vídeo, para não estragar; eu quero voltar a fita ao menos mais uma vez, por favor. Eu tenho saudade dos caderninhos de caligrafia que usávamos quando nossa letra não era legível. Eu tenho saudade da fita de rádio que a vovó tinha e que eu ouvi somente uma vez na vida: era o meu bisavô. Eu tenho saudade dos celulares de telas esverdeadas, que tinham botões e joguinhos muito simples. Eu tenho saudade do velho, de telefones com aqueles discos que giravam para telefonar, de máquinas de escrever (apesar de só ter tido uma), de ficar junto da família, de coisas simples. Eu tenho uma câmera digital, mas quero a minha máquina de filme outra vez.

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