A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

Edição Especial – Eu não estou morta (capítulo IV, 2ª parte/capítulo V, 1ª parte)

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Capítulo IV – As duas simples, malditas e lindas tatuagens da Betty e do Léo
(parte II)

Voltei para casa pensando no que havia dito à Betty. “Não pode ser, a Betty e o Léo com infecção generalizada? Meus melhores amigos? Não… Eu não posso perdê-los…”, eu pensei. Comecei a chorar. Parei num ponto de ônibus, sentei no banco e chorei mais ainda. Não era possível! Eu não conseguiria viver sem os dois. A Betty sempre me apoiou em tudo o que eu fiz, e o Léo sempre fazendo aquelas brincadeiras bobas. Lembrei-me dos momentos que passamos juntos. Não nos conhecemos há muito tempo, mas nos conhecemos há tempo suficiente para saber que nada poderia acabar com nossa amizade. Me lembrei de quando tentamos fugir de casa. Dei risada, afinal, nós pulamos a janela e caímos do telhado. Meu celular tocou, interrompendo aquele momento tão íntimo. Era minha mãe me dizendo para ir pra casa. Saí pedalando bem devagar. Estava concentrada em meus pensamentos. Cheguei em casa e larguei a bicicleta no meio do quintal. Entrei em casa e corri pro meu quarto, acho que minha mãe nem me viu entrar. Peguei o telefone e liguei pro Léo. Caiu na caixa postal. “Léo, é a Liz. Eu só liguei pra te dizer que você pode sempre contar comigo, que eu gosto das suas brincadeiras e espero que você também goste das minhas. Me perdoe por qualquer coisa que eu tenha feito. Até mais.”, foi meu recado. Enfiei o rosto no travesseiro e chorei mais. Chorei tanto que acabei dormindo. Na verdade, cochilando. Acordei quinze minutos depois com a minha mãe me chamando pra jantar. Eu disse que não estava com fome. Tornei a pegar o telefone. Liguei pra Betty.

Alô?

­-Betty? É a Liz.

Ah, oi, Liz.

Betty, me desculpe pelo que eu falei. Eu fiquei nervosa na hora, achei que podia ser aquilo e acabei ficando com medo.

Tudo bem, Liz. Não tem problema. Eu é que estava errada. Eu fiquei mais assustada que você, acredite. Eu não queria acreditar naquela possibilidade. Você é que tem que me perdoar.

Está perdoada.

Obrigada.

Por nada… Bê, eu liguei pro Léo, deu na caixa postal, você conseguiu falar com ele, afinal, ele não apareceu na festa, né?

Pois é, eu não consegui também.

Será que tá tudo bem com ele?

Não se preocupe, Liz, deve estar tudo bem.

Espero vê-lo amanhã na escola.

Eu também.

Mas, acho que vou dormir agora, estou muito cansada. Amanhã eu levo sua roupa e seu presente na escola, tá?

Tá bom, Liz. Obrigada. Até mais!

Até!

Desliguei o telefone. Coloquei o pijama e levei a roupa que a Betty emprestou pra minha mãe lavar. Dei “boa-noite” para todos. Subi e me deitei.

 

Capítulo V – A simples, maldita e linda tatuagem da Betty
(parte I)

No outro dia, acordei exatamente na hora de acordar, mas decidi ficar na cama, até perceber que estava atrasada quarenta minutos. Não havia roupa limpa. Tive de colocar aquele vestido outra vez, mas dessa vez, com uma meia menos chamativa. Cheguei super atrasada na escola. Quando passei pelas salas de aula, a fita do vestido que fica em volta da cintura enroscou na dobradiça de uma das portas. Ela rasgou e eu tive de arrancá-la. Ficou uma marca em volta da minha cintura. Eu estava com sono, então passei no banheiro para lavar o rosto. Outra vez, a água escorreu e deixou meu sutiã colorido aparecendo. Entrei na sala e levei uma baita bronca da professora. Apesar de tudo o que aconteceu, não dei importância. Nada importava. Novamente, só avistei a Betty na sala. Temi pelo pior.

Oi, Betty.

Oi, Liz.

Me calei.

O que foi, Liz? Não me diga que ainda está pensando na conversa de ontem?

Estou.

Liz, não vai dar nada errado!

O Léo faltou de novo, Betty!

Eu sei, Liz… Eu também pensei no pior.

Eu não vou conseguir continuar sem vocês…

Liz, ninguém vai abandonar ninguém.

Vai, Betty. E você sabe que isso vai acontecer. Ser otimista não vai ajudar nada nessa situação.

A porta da sala se abre. É o diretor.

Será que eu poderia falar com a Elizabeth e a Eliza?

Claro.- Responde a professora.

Eu e a Betty nos levantamos. Eu sabia o que o diretor iria dizer, mas não queria acreditar. Queria crer que o que eu pensava era só um pressentimento. Pensar que encontraria o Léo gozando de boa saúde na diretoria. Parte desse pensamento saiu da minha cabeça e me fez acreditar no melhor. Entramos na sala do diretor. Ele pediu para sentarmos. Eu e Betty nos entreolhamos.

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