A menina que matava caracóis

Filosofias úteis, inúteis e outras coisas que você pode não precisar.

Edição Especial – Eu não estou morta (capítulo III, 3ª parte)

tatuagem solar

 

Capítulo III – As duas simples e malditas tatuagens
(3º parte)

Quando eu sentei (com todo mundo olhando pra mim.), o Léo me olhou e disse:

Você de rosa? O que aconteceu? Você foi abduzida?

É que minha mãe não me deixou vir de calça e sutiã.

Bom… Acho que não fez muita diferença, né?- Risadas. Que vontade de dar um soco nele!

Oi, Liz.- Pelo menos a Betty não zoa comigo.

Oi. E a tatuagem?

Está linda! Eu vim com uma blusa fechada nas costas de manhã e depois troquei por uma de costas abertas. Tá todo mundo falando dela!

Que bom! E a sua, Léo?

Bom, eu não posso ficar sem camisa na escola… Mas a tatoo está linda!

Não é mesmo, Liz?- A professora deve ter falado alguma coisa antes de me perguntar isso.

É!

O que é?

O que é o quê?- Ela tinha que perguntar pra mim!

Liz…

Porquê diabos você pergunta tudo pra mim?

Como?

Eu-vou-falar-bem-devagar-para-você-entender. Porquê-diabos-você pergunta-tudo-pra-mim?

Liz! Você vai acabar indo para a diretoria!

Se você não estiver lá, tudo bem!

Já para a diretoria!

Tá bom, tá bom… Mulher estressada!

Bom, aquela professora burra não fez ninguém me acompanhar, então, eu fui até o bar da esquina, comprei um refrigerante, comi uns donuts e voltei pra escola só na hora do almoço! (se você está se perguntando como eu consegui sair da escola sem ninguém me pegar, aqui vai a explicação: O porteiro da escola é um velho enrugado e quase cego e surdo, então, não é a coisa mais difícil do mundo!).

Na hora do almoço, eu voltei pra escola e encontrei a Betty e o Léo no pátio.

Você foi pra diretoria, Liz?

É claro que não, Léo! Você acha que esse açúcar que está na minha boca vem da onde? De algum doce que o diretor comprou?

Você conseguiu sair da escola sem ser vista?

Ah, pra fazer isso não precisa muito, né, Léo?

É… Concordo com você.

Gente, eu acho que não estou bem…

Porquê, Betty?

Eu também não estou…- O Léo e a Betty estão mal, será que é por causa da tatuagem?

O sinal tocou.

Eu posso esperar um pouco. O que vocês têm?

Acho que estou com um pouco de febre…

Nesse instante, o Léo começou a tremer e só parou depois de uns cinco segundos.

Você está com frio, Léo?- Eu só perguntei por perguntar, porque lá no pátio não estava frio.

Não, eu não sei porquê eu tremi.

Estranho. Gente, agora eu realmente tenho que ir. Espero que vocês não tenham nada!        

Pra onde você vai, Liz?

Léo, eu fui expulsa da sala de aula, se o diretor descobre que eu saí da escola, eu to ferrada!

Então, até mais, Liz!

Tchau, Bê!

Tchau, Liz!

Até, Léo!

_________________________________________________

É óbvio que eu não fui pra casa, por quê se eu fosse, teria que explicar tudo pra minha mãe, e eu não quero ficar sem jantar de novo! Eu peguei minha bicicleta e fui dar uma volta no bairro. Já fazia uns quinze minutos que eu tinha saído da escola, quando eu fiquei com fome. Aproveitei que o supermercado estava logo ali do lado e resolvi compra alguma coisa. Entrei no supermercado e fui direto para a prateleira de salgadinhos e companhia. Peguei o maior pacote de salgadinho que achei e fui pro caixa. Quando eu cheguei no caixa, coloquei o pacote na esteira e peguei dinheiro no bolso. Enquanto eu tentava achar alguma nota de cinco reais entre papéis de balas e colas de prova no meu bolso, eu ouvi uma voz familiar…

Liz?

Quando eu olho para a moça do caixa, eu vejo a minha mãe toda maquiada com aquelas sombras verdes de caixa de supermercado! Como é que eu consegui esquecer que minha mãe trabalhava naquele supermercado como caixa?! Eu tomei a maior bronca da minha vida! Fiquei escutando minha mãe falar por uns trinta minutos! (e a fila do caixa crescendo…).

Mãe, tem gente na fila…

Liz! Você fugiu da escola e quer que eu me preocupe com as pessoas que estão na fila?!

Mãe, se você não atender as pessoas que estão na fila, eu não vou nunca mais para a escola! Nossa… Que boa idéia eu tive…

Liz, sente-se lá nas cadeiras do supermercado e me espere sair do serviço.

Mas o seu expediente acaba às seis!

Então, você vai esperar até eu acabar!

Mas, mãe…

Nada de mas, sente-se!

É… Parece que eu vou ficar sem jantar outra vez. E bem hoje que é dia de macarronada. Eu fiquei lá sentada (quando eu levantei pra ir embora minhas pernas estavam dormentes… Ou seja, nem levantar direito eu consegui ). Mas até que foi bom, lá no supermercado tem um monte de caras bonitinhos! Só que a maioria deles têm namorada! Mas, quando meu relógio apitou às dezesseis e quatorze da tarde (ele toca à essa hora, porque ele veio programado pra apitar essa hora e eu não consegui desprogramar.), sabe quem apareceu no supermercado? O meu vizinho saradão de vinte e sete anos! Eu mereço alguma sorte! Mas, minha sorte dura pouco, eu estava comendo meu salgadinho quando ele apareceu, então, ele falou “oi” pra mim (uma das únicas vezes!) e quando eu fui falar “oi” de volta, eu engasguei com o salgadinho e fiquei sem ar! (e eu entrei em estado de pânico! Eu fiquei me mexendo e parecia que eu tinha algum problema mental!) Daí, eu tive que cuspir aquela saliva amarelada no chão (quando eu cuspi, fiquei parecendo uma gaivota dando de comida pros filhotes!), e o gostosão ficou vendo tudo! Nem pra ele me ajudar! Nem pra ele me pegar por trás (nossa… que sensação!) e me apertar pra eu desengasgar! Ele ficou assistindo tudo com cara de nojo! E a pior parte, é que eu ainda gosto dele! Minha mãe ficou desesperada e quase chamou um helicóptero pra me socorrer! E depois de toda essa cena, eu ainda tive que limpar a gosma que eu cuspi no chão, porque minha mãe disse que eu não tinha nada melhor pra fazer! Aí só dava eu com aquele rodo enorme!

Quando acabou o expediente da minha mãe (finalmente!), eu fui pra casa com ela. Ela me deu sermão no estacionamento do mercado, no carro, em casa e até quando eu estava no banho! (A gente comprou sabonete antes de sair do supermercado.). Graças ao meu ótimo azar, eu não comi macarronada naquela noite. (Mas de madrugada eu desci escondida e comi um pouco de pudim…).

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